Chegou a hora da demissão? 🤝🔔 Demitir alguém vs. pedir para sair — critérios, cultura e “algema de ouro”

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Demitir alguém é uma das decisões mais difíceis que um líder enfrenta. Mas sabe o que é ainda mais difícil? Adiar essa decisão por semanas, meses ou até anos. No episódio #116 do Bingo Corporativo, Abramo, Salomão e Shapoka mergulham fundo na questão central: qual é realmente o momento certo para demitir um colaborador, e como separar as razões que realmente importam daquelas que a gente usa como desculpa.

A conversa é tão rica que os três decidiram abordar não apenas quando demitir alguém, mas também quando você mesmo deve pedir demissão. Porque sim, as duas coisas são igualmente complexas e merecem atenção. O que sai disso é um mapa prático para decidir em ambos os cenários.

Os Dois Critérios Mais Importantes para Demitir

Abramo começa com clareza brutal: você precisa estabelecer, desde o começo, quais são as regras do jogo. Se a pessoa sabe o que você espera e não segue, ali já começa a titubear. Dentro daqueles itens que você deixa claro como fundamentais, a tolerância é pequena. Fora deles, você pode ser mais flexível.

O critério número um de Abramo é simples: lealdade. Um colaborador desleal não tem espaço. Não é sobre concordar com tudo — é sobre não colocar você nas costas.

Salomão traz outro ponto que equilibra a conversa: inaptidão. Não é performance ruim, é incapacidade real de entregar o que foi pedido. E aqui ele coloca algo importante na mesa: quando você precisa mandar alguém embora, há culpa do gestor nisso. O papel de quem lidera é desenvolver o time. Se você mandou embora sem tentar antes, falhou.

Performance vs. Comportamento: O Que Realmente Causa Demissão

Aqui a conversa fica tensa porque existe um mito: as pessoas são demitidas por falta de competência técnica. Não é verdade. A maioria das demissões acontece por razões comportamentais — cultura diferente, falta de alinhamento, atitudes que não combinam com o time.

Isso muda tudo. Performance pode ser corrigida com treinamento. Comportamento é mais profundo. Quando alguém sistematicamente ignora as regras que você deixou claras, quando a pessoa não é leal, quando atrasa entrega por falta de organização — isso é comportamental. E é bem mais difícil de consertar.

Shapoka traz realismo cruel: na prática, quando você quer demitir alguém por performance, tem uma série de outras coisas no caminho. Não é tão simples quanto "essa pessoa não tá entregando, manda embora amanhã". Você precisa se organizar. Se é questão de caráter? Aí sim, sai fora. Mas se é performance em contexto de projeto importante, de equipe reduzida, de transição — aí tem complexidade real.

O Hack Infinito para Saber se Chegou a Hora

Abramo dispara uma pergunta que não falha: você já pensou muitas vezes em demitir essa pessoa? Se pensou, é porque já passou da hora. Quando você fica postergando, é sinal de que a decisão já foi tomada inconscientemente.

E tem outra: se você pudesse contratar essa pessoa hoje, você contrataria? Se a resposta é não, ela não deveria estar no seu time agora. Simples assim. O incômodo vem depois — quando você manda embora e pensa: "por que demorei tanto?"

Quando Você Deve Pedir Demissão

Agora o inverso. Os três citam três razões principais para você pedir para sair: chefe babaca, cultura da empresa que não te cabe, e o clássico "fim do ciclo" — aquela sensação de que você bateu no teto e não vai para lugar nenhum.

Mas tem um vilão invisível: a "algema de ouro". É quando você sente que deveria sair, mas fica preso porque precisa pagar conta, porque tem muito tempo de casa, porque o salário é bom. E aí passa o tempo e você percebe que perdeu oportunidades incríveis por ficar onde não crescia mais.

Abramo e Salomão discordam em um ponto. Abramo é mais agressivo: se chegou a hora, sai. Salomão é mais cauteloso: só sai sem ter para onde ir em caso extremo. E ele tem razão — estar empregado é mais fácil para negociar novo emprego do que estar desempregado.

A mensagem que fica? Quanto mais você gosta do lugar onde trabalha e quanto você é reconhecido, menos motivo tem para sair. Mas se tá bom, tá ok, tá reconhecido e ainda assim não cresce — aí talvez seja hora de buscar outra opção. Especialmente se está no começo de carreira: ser agressivo na mudança de empresa quando você é jovem compensa. No topo, já é mais complexo.

O Número Mágico: 30% a 40%

Tem um conceito interessante na conversa: quanto aumento ou melhora você precisa para trocar de empresa? Entre 30% e 40% costuma ser o número. Menos que isso, se você tá feliz onde tá, não vale a pena. Mas aqui tem nuances — se você tá numa empresa estagnada versus uma em crescimento acelerado, muda tudo.

Abramo cresceu muito na Hotmart justamente porque a empresa crescia rápido e ele tava na trilha certa. Na Gerdau ou Votorantim, empresas sólidas mas lentas, a carreira é diferente. Não é que um lugar seja pior — é que o contexto muda completamente o que você consegue fazer.

O Que Fica

Se você está na posição de demitir, use os critérios simples: lealdade, aptidão, e aquele hack infinito — você já pensou nisso muitas vezes? Se sim, é porque já é hora. Demitir é difícil, culpa vem junto, mas é parte do trabalho. O que piora tudo é adiar.

Se você está pensando em pedir demissão, o número é claro: se tá ruim e vai piorar, aí sai. Mas se tá ok, tá bom, você só não cresce — ativa o network, procura, se organiza. Não sai sem ter para onde ir, a não ser em caso extremo. E aquela algema de ouro? Sim, ela aperta. Mas reconhecer que existe é o primeiro passo para conseguir se soltar dela quando realmente chegar a hora.

A conversa toda do Bingo Corporativo #116 é um mergulho real em decisões que todo mundo adia e que todo mundo sofre. Vale a pena ouvir do começo ao fim.

Momento PDI

  • AbramoAudacity (referência a livro sobre ousadia e liderança) - citado como leitura obrigatória até para gestores ruins, sobre coragem nas decisões.
  • SalomãoHotmart - exemplo de empresa em crescimento acelerado onde Abramo mais cresceu profissionalmente e aprendeu sobre cultura.
  • AbramoVotorantim - empresa onde Abramo trabalhou em seus primeiros anos de carreira, citada como exemplo de estrutura tradicional com poucas movimentações.
  • AbramoGerdau - empresa de aço onde Abramo trabalhou, mencionada como exemplo de mercado com crescimento lento e estrutura consolidada.
  • AbramoFiat - citada na trajetória de Abramo em Belo Horizonte.
  • AbramoDirecional - empresa onde Abramo foi coordenador de inteligência de mercado, período que ele descreve como o mais medíocre de sua carreira.
  • SalomãoHarvard Business Review - fonte mencionada (com ceticismo) sobre pesquisa que diz 80% das demissões são por falhas comportamentais.

Onde ouvir

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Sobre o Bingo Corporativo

O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.

Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.

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