Tem um perfil de liderança que todo mundo reconhece de longe: o sujeito que aperta o botão do elevador, conta até dez e aperta de novo. Direto, impaciente com lentidão, foco em ação e resultado. No episódio sobre o temperamento colérico, a gente abriu a primeira de uma série sobre temperamentos no trabalho — e a pergunta que ficou no ar foi essa: como lidar com líder colérico no trabalho sem se anular nem entrar em guerra todo dia? Isso conversa diretamente com o que a gente discutiu em O Choque de Virar Líder: o que ninguém te conta sobre gerenciar pessoas.
Antes de chegar ao crachá, vale lembrar de onde isso vem. A divisão em quatro temperamentos é uma das teorias mais antigas sobre como as pessoas se diferenciam. Com base em Hipócrates, Galeno descreveu a primeira tipologia do temperamento em sua obra "De Temperamentis", associando o colérico à bile amarela. A ciência atual considera o modelo superado, mas a utilidade prática de entender como cada pessoa reage continua de pé.
Por isso as empresas usam ferramentas mais modernas para a mesma intenção — DISC, MBTI, 16 Personalities. O problema, como os hosts pontuaram, raramente é a ferramenta: é o relatório que vai para a gaveta sem virar método. Saber o perfil é só meia tarefa. A outra metade é fazer algo com isso. A gente já puxou esse fio em Sanguíneo: o CEO da simpatia — Temperamentos no mundo corporativo, quando discutimos como cada perfil se comporta diante das mesmas ferramentas de autoconhecimento.
O que define o temperamento colérico no trabalho
Determinado, enérgico, impaciente, com muita iniciativa. Tende a ascender rápido porque é assertivo e obstinado. Representado pelo fogo, é alguém que expande energia e se estimula diante de desafios — mas que, sem autocontrole, pode explodir e ficar impaciente. Reconhecer esse padrão já é metade do caminho.
Perfis comportamentais na liderança: a armadilha de contratar o próprio espelho
O ser humano já tende a contratar gente parecida consigo. O colérico exagera nisso: acha que liderança só existe de um jeito e só busca líderes iguais. Resultado: um time de oito gestores coléricos e nenhum contraponto. A saída é deliberada — buscar perfis diferentes para enriquecer a discussão e fazer a performance crescer. Tem um episódio só sobre isso: Fleumático: o guru zen (ou manipulador) do escritório, onde a gente mostra como o perfil oposto ao colérico pode ser exatamente o contrapeso que falta num time.
Como crescer ao lado de um líder colérico
Se você não é colérico, não finja ser. O que faz crescer na carreira é o resultado que você entrega, do seu jeito. Quem é mais lento costuma ser mais atento e melhor em prazos longos. Combine entregas, cumpra os combinados e, quando algo não fechar, avise antes e repactue. E aprenda a baixar a temperatura do ambiente antes de colocar sua ideia — não raro o colérico volta no dia seguinte dizendo que aquilo fazia sentido.
Foco em resultado ou descaso com gente?
O bom colérico lidera, não impõe medo. Falar grosso é objetividade, não falta de educação. Gritar no trabalho não é método, é surto. E atenção a um detalhe: o colérico de verdade é severo, mas não disfarça. Quando alguém usa a "fama de colérico" para destilar veneno escondido, normalmente é outro perfil agindo de lobo em pele de cordeiro. Como comentamos ao falar de Chefe Ruim ou Liderado Mimado, a linha entre liderança firme e ambiente tóxico é mais tênue do que parece.
O que fica: entender como lidar com líder colérico no trabalho não é sobre domá-lo nem sobre virar um. É absorver a energia de quem faz a engrenagem rodar, proteger o que você tem de diferente e combinar bem para precisar repactuar pouco. Perfis diferentes, bem combinados, performam mais do que um time de clones impacientes.
Esse é o primeiro de uma série sobre temperamentos no trabalho. Dá o play no episódio sobre o colérico e se ouça nas definições — você vai reconhecer mais de um chefe (e talvez você mesmo).
Momento PDI
- Abramo — Please Understand Me (David Keirsey e Marilyn Bates, 1978) — apontado como o livro que popularizou os quatro temperamentos no mundo.
- Abramo — Elogio aos Quatro Temperamentos (Ítalo Marsili) — indicação de quem ajudou a repopularizar o tema no Brasil; escrita acessível com profundidade.
- Salomão — Execução (Ram Charan e Larry Bossidy) — sobre a diferença entre planejar e ter disciplina forte de execução.
- Shapoka — Pequeno Tratado das Grandes Virtudes (André Comte-Sponville) — histórias curtas sobre virtudes como coragem e justiça, útil para entender comportamentos.
- Abramo — Hipócrates — citado como a origem histórica da teoria dos temperamentos, lá nos anos antes de Cristo.
- Abramo — Galeno (Cláudio Galeno) — médico do século II que expandiu a ideia de Hipócrates e descreveu os temperamentos como os conhecemos.
- Bingo Corporativo — 16 Personalities — site de teste de perfil citado como forma transparente de o time se enxergar.
- Bingo Corporativo — DISC — sistema de perfil comum em RH, mencionado na discussão sobre triagem de pessoas.
- Bingo Corporativo — MBTI (Myers-Briggs) — citado como teste de perfil mais aprofundado já usado pelos hosts.
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Sobre o Bingo Corporativo
O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.
Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.
