🎙️Cultura é o que acontece quando ninguém está olhando? 👀🏢 - Ep. 105

Ouvir episódio completo

A cultura corporativa é um daqueles temas que parece simples até você tentar mudar uma. Você traça estratégia, faz planejamento impecável, monta o melhor time — e de repente nada funciona porque as pessoas não estão alinhadas com o jeito de ser da empresa. Isso acontece porque cultura corporativa não é aquilo que está escrito na parede. É o que acontece quando ninguém está olhando, como alguém bem mais sábio que a gente já disse.

No episódio 108 do Bingo Corporativo, Abramo, Salomão e Shapoca debruçaram sobre esse tema com a profundidade que merece. E a conclusão é simples: cultura corporativa funciona ou falha de verdade, sem meio-termo. Não tem espaço para ficção.

Cultura não é o que você escreve, é o que você pratica

A maior mentira sobre cultura corporativa é aquela que aparece bonitinha no documento da empresa e nunca mais é vista em lugar nenhum. Os fundadores e líderes têm uma responsabilidade brutal aqui: comunicar a cultura que é, não a que eles gostariam que fosse.

Um exemplo real que Salomão compartilhou: uma seguradora publicou no LinkedIn uma política clara — não fazem contraproposta quando alguém recebe oferta de mercado. E sabe por quê? Porque acreditam que as pessoas já estão valorizadas no dia a dia, não só quando estão de saída. Corajoso? Sim. Transparente? Demais. Isso muda a cultura porque mostra que a empresa realmente significa o que diz.

Os três tipos de cultura corporativa que você provavelmente reconhece

A conversa fluiu para tentar enquadrar culturas em categorias. E a galera chegou a três tipos que parecem cobrir boa parte do mercado:

  • Cultura Agressiva: performance é tudo, cobrança é constante. Ambev, G4 e startups de venda vivem nesse mundo.
  • Cultura Conservadora: tradição, estabilidade, carreiras longas. Votorantim, Gerdau, Tramontina e WEG. Empresas antigas, muitas vezes familiares.
  • Cultura Inovadora: jovem, tech, aberta a mudanças. O jeito de ser das startups e empresas que topam experimentar.

Existe também a cultura pública, que é um bicho à parte — exigiria um episódio só seu.

Como identificar se você está no lugar errado (culturalmente falando)

Essa é a pergunta que vale ouro: como saber se você tá num ambiente com cultura muito diferente da sua? A resposta é incômoda. Você sente. Se você se sente um peixe fora d'água, o corpo está dizendo algo que a razão ainda nega.

Mas tem um truque melhor: esquece o dono, esquece o fundador. Quem é a segunda pessoa mais importante na empresa? Se essa pessoa é muito diferente de você, provavelmente você está no ambiente cultural errado. Porque às vezes o fundador é tão magnético, tão interessante, que você fica ofuscado. Mas depois que ele sai ou deixa de ser a referência principal, você descobre que não tem nada a ver com o resto.

Cultura muda mais rápido do que você pensa (até certo ponto)

A literatura diz que cultura é criada no DNA da empresa no início e é muito difícil mudar depois. Mas Shapoca discordou — e tem razão. Cultura muda rápido em empresas pequenas, até umas 30 pessoas. Muda porque quem está comandando consegue influenciar praticamente tudo o tempo todo.

Quanto maior a empresa, mais enraizada a cultura fica. E mudar uma cultura corporativa antiga é brutal porque não é só trocar o CEO. Seria preciso trocar o CEO, o C-level todo e a primeira camada de diretoria — e isso gera caos operacional. Então a gente vê mudanças graduais, lentas, onde a resistência é real. Porque a galera que faz a empresa funcionar é também quem resiste ao novo.

O jeito de manifestar cultura muda, mas a essência não

Aqui está a sacada que Abramo colocou com precisão: cultura não precisa virar outra quando a empresa cresce. O que muda é como você manifesta ela. Quando você tem 80 pessoas, todo mundo se conhece, você pode sacanear um ao outro de forma aberta e informal. Quando você tem 600 pessoas, uma brincadeira que seria inofensiva em grupo pequeno pode ofender alguém e criar entendimentos errados.

Abramo deu exemplos práticos: nunca foi de chinelo no escritório da Hotmart, mas parou de usar bermuda porque pessoas copiavam seu jeito de se vestir. E ele não pode sair por aí mandando um "bota uma calça, filha da puta" para todo mundo. Então ele mudou como manifesta a cultura informalmente — usando o exemplo em vez da ordem — mas a cultura em si (que é liberdade para se vestir do seu jeito) seguiu igual.

O que fica

Cultura corporativa não é teoria. É prática todo dia. É transparência mesmo quando dói. É aquela segunda pessoa que você escolhe como referência, não o fundador carismático. É reconhecer que cultura tóxica existe quando uma empresa prega uma coisa e faz outra — quando fala que escuta mas silencia, quando diz que valoriza mas congela salário pela terceira vez.

Se você trabalha em um lugar com clareza de cultura corporativa e prática alinhada à fala, guarde isso. Porque é raro. E se sente um peixe fora d'água cultural, converse consigo mesmo: é você que não encaixa em lugar nenhum, ou é realmente o lugar que não combina com você?

A cultura corporativa que funciona é aquela que as pessoas vivem, respiram e entendem sem precisar de manual. E sim, isso existe — mas exige coragem de ser honesto sobre quem você realmente é como organização.

Ouça o episódio

Se você quer uma conversa real sobre cultura corporativa — sem jargão corporativo vazio, sem ficção bonita — escuta o episódio 108 do Bingo Corporativo. Abramo, Salomão e Shapoca falam sobre mudança cultural, fit cultural, toxicidade e aquele feeling de estar no lugar certo ou errado.

Momento PDI

  • SalomãoDelivering Happiness (Satisfação Garantida) — História da Zappos e sua cultura revolucionária, com exemplos práticos de como construir uma empresa orientada por valores.
  • SalomãoA Regra Não Tem Regra — Histórias da Zappos incluindo o famoso exemplo do atendimento de pizza que se tornou lendário na empresa.
  • SalomãoA Regra é Não Ter Regra (Netflix) — Documentário sobre a cultura da Netflix e como ela construiu uma abordagem única de gestão e inovação.
  • SalomãoTony Hsieh — Fundador da Zappos, referência global em cultura corporativa e construção de empresas orientadas por propósito.
  • ShapocaViúva Clicquot: A História do Império do Champanhe — Biografia da mulher que construiu uma das marcas mais icônicas do mundo contra todas as odds, passando por guerras napoleônicas e desafios imensos.
  • AbramoEntre Ruínas e Reinos — Livro de fantasia do fundador e CEO da Hotmart, JP Rezende, com easter eggs sobre a cultura da empresa para quem conhece em detalhe.
  • JP Rezende (citado por Abramo)Hotmart — Empresa mencionada como referência em comunicação e prática de cultura corporativa, com documentação clara dos valores.
  • Bingo CorporativoPeter Drucker - "Culture Eats Strategy for Breakfast" — Frase icônica que abre o episódio, sobre a primazia da cultura corporativa sobre qualquer plano estratégico.

Onde ouvir

O Bingo Corporativo está disponível em todas as plataformas. Escolha a sua preferida:

Sobre o Bingo Corporativo

O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.

Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.

carreira liderança gestão de pessoas mundo corporativo podcast brasileiro vida profissional
Todos os episódios