O Torcedor: quando você confunde militância com identidade

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Estamos em maio de um ano eleitoral e o cansaço é visível. Áudios vazam todo mês, política vira identidade, e as pessoas dedicam uma energia monumental para discussões que, no final das contas, pouco mudam suas vidas reais. Mas quando você confunde militância com identidade pessoal, o custo vai muito além das redes sociais — afeta seu rendimento, suas relações e suas prioridades.

O Bingo Corporativo gravou um episódio provocador sobre exatamente isso: como a gente tem investido valores em coisas erradas e esquecido do que realmente importa. E a conexão é tão pertinente quanto surpreendente — passa por política, futebol, e até mesmo por Miranda, de O Diabo Veste Prada.

A Militância Como Identidade — O Perigo da Confusão

Se você não torce para o cara que eu vou votar, não significa que é meu inimigo. Parece óbvio? Não é. As pessoas começam a confundir militância política com identidade pessoal. Você vira petista, bolsonarista, ou qualquer outra sigla — e aí, quem pensa diferente passa a ser ameaça.

O resultado? Brigas de família. Primos que não se falam mais. Tias mandando fake news no grupo do WhatsApp. Colegas de trabalho sabotando uns aos outros por viés político. A energia que deveria ir para melhorar sua vida vai toda para uma discussão cíclica que se repete a cada eleição.

A Inversão de Valores — Futebol Acima de Resultados

Aqui está o ponto que dói: você comemora mais quando seu time ganha do que quando bate uma meta no trabalho. Quando foi a última vez que ficou rouco gritando porque alcançou um objetivo pessoal? Quando foi que você vibrou tanto assim com uma conquista sua?

O problema é que o time perdendo afeta seu rendimento. Você chega ao trabalho de cara fechada. A produtividade cai. O time ganhou? Você chega alegre e disposto. Mas ambos os cenários — ganhar ou perder — não mudam absolutamente nada na sua vida real.

Entregas de projetos, avanços profissionais, relacionamentos que você cultiva — isso sim muda. E é aí que mora a inversão: as pessoas colocam uma euforia interna muito maior em coisas que não controlam (política, futebol, personagens fictícios) do que naquilo que realmente as define como profissionais e como pessoas.

O Problema Não É Gostar — É Confundir Prioridades

Ninguém está aqui pedindo para você parar de torcer ou deixar de ter opinião política. O convite é outro: dar valor proporcional.

Se você tem uma empresa — como o Shapoca tem — seus objetivos anuais são incomparavelmente mais importantes do que o que aconteça com o Atlético, Flamengo, ou qualquer time. Se você está em busca de crescimento, suas metas profissionais pesam muito mais que o resultado de uma eleição que você não controla.

E tem mais: a maioria das pessoas nem acompanha os deputados em quem votou. Ninguém sabe o que seu vereador está fazendo. O foco deveria estar aí — na esfera que realmente impacta seu cotidiano — e não em campanhas presidenciais que estão a quilômetros de distância da sua realidade.

Miranda Não Tem Essa Confusão

O personagem de O Diabo Veste Prada tem uma característica fascinante: ela não confunde identidade com ideologia. Miranda vai para cima dos seus objetivos. Ela é definida por sua performance, sua capacidade de decisão, seu impacto — não por quem torce ou em quem vota.

Se você trouxesse um Miranda para sua vida corporativa — alguém que definisse sua identidade por suas conquistas e não por militância — você seria incomparavelmente mais produtivo, mais feliz e mais impactante.

A Éltima Reflexão — Onde Está Sua Energia Vital?

Ninguém está interessado em melhorar sua vida além de você. Nem de direita, nem de esquerda. Os políticos estão interessados em melhorar as próprias vidas. O futebol é entretenimento. A política é importante, sim — mas não no nível de destruir seu rendimento ou sua identidade pessoal.

A pergunta que fica é simples e desconfortável: onde você está colocando sua energia vital? Está investindo em coisas que você controla — seus objetivos, suas relações, sua performance — ou em coisas que não controlam absolutamente nada na sua vida?

Porque quando confundir militância com identidade, você não está defendendo uma causa. Está apenas investindo no fracasso pessoal.

Ouça o episódio completo do Bingo Corporativo para mais provocações assim. A conversa inteira passa por política, futebol, gestão de pessoas e por que as pessoas põem valores em lugares errados. Vale cada minuto.

Momento PDI

  • SalomãoO Diabo Veste Prada - Filme citado como referência de liderança e gestão através do personagem Miranda, que não confunde identidade com ideologia.
  • ShapocaDocumentário 72 da Copa (Netflix) - Documentário sobre a Copa do Mundo de 1972, com filmagens feitas pelo produtor Beletti, recomendado como exemplo de dedicação a grandes objetivos.
  • ShapocaDocumentário do Ronaldinho Gaúcho - Documentário que ilustra a história de alguém que poderia ter sido maior, mas fez escolhas sobre como viver a vida, e também mostra o comportamento corporativo do empresário Assis.
  • SalomãoNa Mira do Júri (Amazon Prime) - Série onde todos os personagens são atores exceto um, mostrando reações autênticas a situações bizarras. A segunda temporada é um retiro corporativo com situações absurdas, muito relevante para dinâmicas corporativas.
  • AbramoLate Night com Stephen Colbert - Éltimos Episódios (YouTube) - Éltima semana do programa (21 de maio) com entrevistas especiais incluindo Obama e competidores da TV de madrugada, recomendado como parte do final de uma era de late night shows.
  • Bingo CorporativoNeymar da Silva Santos Júnior - Discussão sobre gestão de talento em baixa performance, liderança de grupo e a importância de dar últimas oportunidades a grandes talentos.
  • Bingo CorporativoCopa do Mundo FIFA - Tema central que conecta gestão de grupos, prioridades pessoais e inversão de valores na vida corporativa e pessoal.

Onde ouvir

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Sobre o Bingo Corporativo

O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.

Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.

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Prefere ver o papo? O episódio completo está no canal do Bingo Corporativo.

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