Esquece roubar a empresa ou ameaçar um colega. Quando o assunto é o que não fazer no ambiente de trabalho, os erros que realmente travam uma carreira são bem mais sutis — e bem mais comuns. São aqueles comportamentos do dia a dia que a gente nem percebe que está repetindo até virarem um problema sério.
Neste episódio, a gente puxou da memória os casos reais: o colega genial com quem ninguém queria trabalhar, o sincerão que confunde honestidade com falta de tato, e o profissional que diz sim pra tudo e acaba como saco de pancada. Nenhum deles é vilão. Quase sempre são pessoas competentes que escorregam no comportamento. Isso conversa com o que a gente debateu em o colega genial que vira o fora-da-lei do escritório — o talento sozinho não salva ninguém.
E o pano de fundo pesa. O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) recebeu mais de 3,5 milhões de pedidos de licença médica em 2024, sendo 472.328 por transtornos mentais, segundo levantamento publicado pelo Observatório de Saúde Pública. Saber se comportar — e saber parar — deixou de ser papo de etiqueta corporativa.
Leia o ambiente antes de querer mudar a cultura
Ir de terno e gravata numa agência de publicidade ou de bermuda num banco não te faz melhor nem mais autêntico — só atrapalha. Ninguém deveria ser julgado pela roupa, mas a verdade é que é. Saiba ler as mensagens do lugar, ainda que não exista dress code escrito, e respeite a cultura. Se for pecar, peque pra mais, nunca pra menos. A gente já tinha tocado nisso em cultura como âncora ou foguete para a sua carreira — ignorar o ambiente é um dos atalhos mais rápidos para o fim da linha.
O baixo astral é um dos comportamentos que mais prejudicam a carreira
Aquele colega que mata toda ideia antes dela nascer, que anda com nuvem preta na cabeça, contribui com muito pouco. E tem um agravante: ninguém quer estar perto de gente triste o tempo todo. A dica prática é ter um objetivo, qualquer um — ganhar um cliente, se desenvolver numa habilidade. Objetivo gera energia. A falta dele apaga.
Sinceridade não é desculpa pra falta de tato
Existe diferença entre ser honesto e ser o "sincerão" que fala tudo na lata. Dá pra ser direto com jeito, mas é difícil pra caramba — e mais difícil ainda numa posição de liderança. Falar pro time exatamente tudo o que você pensa de cada ação, sem filtro, te transforma num babaca. Escolha a hora. Tem um episódio só sobre isso: sinceridade demais pode destruir a sua carreira — vale ouvir antes de soltar o verbo na próxima reunião.
Saber dizer não no trabalho é uma arte (e protege você de você mesmo)
Dizer sim pra tudo parece proatividade, mas vira armadilha: você abraça o mundo e não entrega nada. Saber escolher as batalhas — onde você gera mais valor, mais rápido — é uma habilidade rara e valorizada. E aqui entra o mito favorito da nossa geração: o multitasking. Ninguém faz várias coisas ao mesmo tempo. Você está sempre escolhendo uma em detrimento da outra. Priorizar é o atributo, não fazer tudo junto.
O equilíbrio entre vida pessoal e profissional não é escolha de "ou"
As pessoas por quem você pararia tudo — filhos, família, amigos — são mais importantes que o trabalho. Ponto. Isso não significa abrir mão da carreira, e sim respeitar o tempo com elas tanto quanto você respeita uma reunião. No home office, onde a fronteira sumiu, isso virou questão de saúde. Saiba a hora de virar a chave. E, do outro lado, não faça corpo mole: seja sincero com o seu próprio tempo. Como comentamos ao falar de produtividade e burnout no mundo corporativo, o equilíbrio não aparece sozinho — ele precisa ser construído ativamente.
O que fica: a maior parte do que não fazer no ambiente de trabalho não está num manual de ética, está no comportamento de todo dia. Leia o ambiente, escolha suas batalhas, diga não com elegância e proteja o tempo das pessoas que você ama. É menos sobre regra e mais sobre como você joga o jogo.
Ouça o episódio completo do Bingo Corporativo. Tem caso real, discordância entre os hosts e, no final, até o Shapoka prometendo um funk. Vale o play.
Momento PDI
- Abramo — Steve Jobs — citado como exemplo de líder genial porém difícil ("crápula"), para discutir os limites entre brilhantismo e tratar mal as pessoas no trabalho.
- Abramo — Super Sincero / O Mentiroso (The Invention of Lying) — referência usada na brincadeira sobre o "sincerão" que fala a verdade sem filtro.
- Salomão — O mito do multitasking — conceito trazido para defender que ninguém faz várias coisas ao mesmo tempo e que priorizar é o que importa.
- Bingo Corporativo — Hotmart — empresa citada como exemplo de ambiente informal e na referência ao e-mail do CEO sobre família e home office.
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Sobre o Bingo Corporativo
O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.
Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.
