Ser eu mesmo vai me fazer perder o emprego!?

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Tem um ditado que diz que a gente não é a mesma pessoa em todos os lugares. E quando o assunto é trabalho, a questão fica mais complicada ainda: dá para ser você mesmo no ambiente corporativo ou você precisa virar outra pessoa para ter uma carreira de sucesso?

A resposta que a maioria quer ouvir é "claro, seja você mesmo, sempre". Mas a realidade é um pouco mais cinzenta — e muito mais interessante. Ser você mesmo no trabalho não significa ser exatamente igual em todos os contextos. É sobre manter a essência da sua personalidade enquanto você aprende a usar filtros profissionais de forma inteligente.

Pense assim: você não usa a mesma roupa num velório e num campo de futebol, né? Mas em ambos os lugares você continua sendo você. No trabalho funciona da mesma forma.

O filtro profissional não é uma máscara

Aqui está a grande diferença: ter um filtro não significa ser falso ou estar mentindo sobre quem você é. Quando você está em casa com amigos, você fala sem preocupação maior. Mas quando você está numa empresa, especialmente se estiver num cargo de liderança, suas palavras reverberam de forma muito diferente.

É o famoso "telefone sem fio" corporativo. Uma coisa é você conversar um-para-um; outra é uma informação que viaja por dez pessoas antes de chegar em alguém que interpreta completamente diferente do que você quis dizer. Por isso você precisa pensar não só no que você comunica, mas em como as pessoas vão entender aquilo.

Isso não é ser falso. É ser profissional. É você sabendo que em casa você pode brigar com alguém por derramar vinho na toalha, mas no trabalho você fala "opa, acontece" — porque você sabe qual é o contexto e qual é a relação que você tem com aquela pessoa.

Os melhores profissionais são aqueles que menos fingem

Tem uma verdade que vale a pena destacar: os profissionais que mais crescem são aqueles que conseguem ser parecidos dentro e fora do trabalho. Não perfeitos, não iguais 100% — mas fundamentalmente parecidos.

Quando você tenta montar um personagem corporativo que nada tem a ver com quem você é de verdade, você gasta muita energia fingindo. E isso cansa. Além disso, as pessoas percebem. E quando percebem que você é falso, perdem a confiança.

Por outro lado, isso não significa que você vai crescer na carreira apenas sendo "naturalmente você". Tem um outro lado dessa moeda.

Ser você mesmo inclui desenvolver habilidades novas

Se você é introvertido, por exemplo, não é porque você deva almoçar sozinho todos os dias que você vai fazer networking efetivo na empresa. Precisa de um esforço? Precisa. Mas esse esforço não é você fingir ser extrovertido — é você aprender a se comunicar do seu jeito, de forma direta, genuína, ouvindo bem.

O padrão ouro é encontrar um ambiente ou um tipo de trabalho onde sua introversão é um superpoder, não um problema. Mas isso não desculpa ninguém de fazer o esforço mínimo de conviver bem com as pessoas ao seu redor.

A mesma lógica vale pro inverso: um cara extrovertido que entra numa empresa de people muito introvértidas precisa saber quando ficar quieto, quando não forçar a barra, quando respeitar o silêncio. Ninguém gosta de uma pessoa inconveniente.

O pulo do gato é saber qual roupa vestir em cada ocasião

Então como fica? Você consegue ser você mesmo no trabalho se aprender a usar o filtro certo para cada situação. É uma habilidade corporativa importante e raramente ensinada formalmente.

Você tá numa reunião com gente que você não conhece? Você vai mais comedido, mais observador. Você tá numa reunião onde todo mundo é hierarquicamente acima de você? Você aprende a escutar mais, a observar o ambiente antes de sair falando. Você tá num almoço com colegas próximos que já te conhecem? Aí sim você se solta mais.

É como ter várias roupas no guarda-roupa e saber qual colocar. Mas todas as roupas são suas. Todas combinam com você.

O que fica

A verdade sobre ser você mesmo no trabalho é que é totalmente possível — mas com responsabilidade. Você não vai ser 100% igual em todos os lugares, e tudo bem. Você também não precisa virar uma pessoa diferente para ter sucesso profissional.

O segredo é manter sua autenticidade enquanto aprende a ler o ambiente, entender o contexto e escolher os filtros certos. Isso é crescimento. Isso é profissionalismo. E isso é totalmente compatível com ser você mesmo.

Os melhores profissionais que você conhece provavelmente são aqueles que conseguem ser parecidos dentro e fora do trabalho — mantendo os filtros, claro, mas mantendo também a personalidade que os torna quem eles são.

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Quer ouvir essa discussão completa com muito mais nuance, exemplos e risadas? O episódio 62 do Bingo Corporativo traz Abramo, Shapoca e Salomão debatendo tudo isso com muito detalhe. Vale a pena.

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Sobre o Bingo Corporativo

O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.

Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.

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