Tipos Corporativos: Lerdo Bonzinho, Zé Processo, Workaholic Performático e o Chefe Jabuti

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Você já parou para observar os tipos de pessoas que habitam o mundo corporativo? Aquele cara que executa bem mas é lento. Aquela mulher que quer transformar tudo em processo. O gestor que ninguém entende como chegou lá. No episódio #136 do Bingo Corporativo, os hosts destrincharam 9 tipos corporativos que definem a dinâmica real das equipes brasileiras.

A premissa é simples: tipos de pessoas no ambiente corporativo não são memes. São perfis reais, com função e impacto mensurável na cultura e nos resultados. E sim, você provavelmente se vê em um (ou vários) deles.

O Lerdo Bonzinho: O Valor Escondido

É aquele cara que está na empresa há anos, é legal, todo mundo gosta, mas executa devagar. A tentação é desprezá-lo. Mas aqui está o pulo do gato: se ele fosse simplesmente incompetente, já teria perdido o emprego. Ele sabe fazer o trabalho. Só faz no próprio ritmo, mantém a calma quando tudo desaba, é o "bom de grupo".

A maturidade corporativa ensina que esse profissional é estratégico. Se você é acelerado, impaciente, esse cara é seu equilíbrio. Ele não muda o ritmo nem quando o caos bate na porta. Dito isto: essa pessoa tem vida longa nas organizações. E quanto mais tempo de carreira você tem, mais você valoriza.

O Zé Processo: Quando a Caixa Vira Prisão

Tudo precisa virar um processinho. Caixinhas, fluxogramas, passos numerados. E olha, processo é importante—principalmente quando alguém sai e você não quer que tudo desabe. A continuidade depende disso.

O problema é quando o Zé Processo exagera. Quando você precisa de 8 assinaturas para uma coisa simples. Quando o Brasil inteiro (e o corporativo brasileiro especialmente) monta processos que não fazem sentido lógico. Aí vira cartório.

E tem mais: em empresas pequenas com poucos recursos, gastar muito tempo desenhando processo significa gastar pouco tempo executando. Além disso, documentação desatualizada é pior que não ter documentação. Processo vivo exige guardião. Processo morto é lápide.

O Workaholic Performático: O Resultado que Custa Caro

Trabalha até as 3 da manhã. Guarda e-mail para mandar quando está saindo do escritório. Quer que todo mundo veja o sacrifício. Sim, esse cara gera resultado para a empresa a curto prazo. Mas a que custo?

A evolução é deixar de ser performático mantendo o ritmo de trabalho. Salomão trabalha bastante, mas não precisa contar para ninguém. O Abramo já trabalhou final de semana, mas segura o e-mail do sábado para mandar na segunda—não para parecer que trabalhou menos, mas por respeito ao descanso alheio.

A cultura corporativa importa aqui. Quando a empresa valoriza aparecer trabalhando mais do que trabalhar bem, você cria uma geração de pessoas queimadas que só pensam em demonstração. Não é sustentável.

O Renato Gaúcho e o Chefe Jabuti: Quando Parecer Virou Ser

O Renato Gaúcho é aquele que vende expertise que não tem. "Quando eu jogava na Fiorentina..." (e era uma merda). Supervaloriza algo, tem certeza que domina, mas não domina nada. O problema? Influencia decisões que custam milhões.

Aí, se ele se comportar assim tempo suficiente, vira o Chefe Jabuti. Ninguém sabe como chegou lá, mas todo mundo sabe que ele vai cair. Parecer que sabe o que está fazendo às vezes te leva mais longe do que saber de verdade. Mas só até um ponto. A conta chega.

E Os Outros Tipos?

Tem o Evangelista de Ferramenta (acha que CRM vai resolver vida). O Executor Ressentido (faz tudo reclamando). O Cara em Todas as Reuniões (mas ninguém sabe o que ele faz). O Velho Sem Calça (prestes a se aposentar, fala tudo que você pensa).

E tem o Quinta Série Corporativo. Aquele gestor que tira sarro, faz pegadinha. Pode parecer brincadeira, mas quando há alinhamento real e confiança de verdade, essas pegadinhas fortalecem relação. É diferente de sacanear alguém que não confia em você.

O Que Fica

Tipos de pessoas no ambiente corporativo existem porque servem. O problema nunca é o tipo; é o exagero do tipo. O Lerdo Bonzinho é ouro se você valorizar. O Zé Processo é necessário se mantiver processo vivo. O Workaholic é bem-vindo se não queimar a equipe.

A maturidade corporativa é aprender a trabalhar com perfis diferentes, entender a função de cada um e, mais importante, não se deixar irritar demais por ninguém. Ou melhor: deixe-se irritar, mas reconheça o valor.

Escuta o episódio inteiro. Vale pela diversão, pela identificação pessoal, e pelas conversas que vai gerar no seu time.

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Sobre o Bingo Corporativo

O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.

Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.

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