Você já parou para pensar por que dinâmica de conflito entre áreas corporativas é tão comum e tão pouco resolvida? A resposta está em algo que parece simples mas é profundamente humano: quanto menos alguém sabe sobre um assunto, mais seguro fica de sua opinião sobre ele.
Neste episódio do Bigo Corporativo, conversamos sobre o que parece confuso na superfície, mas revela um padrão claro quando você olha para o fundo: áreas técnicas (contabilidade, jurídico, contencioso) raramente recebem sugestões de outras áreas. Mas marketing, RH e produto? Aí o telefone começa a tocar. Aí todo mundo vira especialista.
E essa é exatamente a conversa que vale a pena ter se você trabalha em qualquer empresa com mais de uma área.
Por que ninguém cala a boca (mesmo sem saber nada)
O efeito Dunning-Kruger é um viés cognitivo onde quem tem conhecimento baixo sobre um tema supervaloriza sua capacidade de opinar. É aquele colega que leu um artigo no LinkedIn e acha que entende de marketing. É aquele gestor que nunca mexeu em código e tem certeza que o dev tá fazendo tudo errado. É o contador opinando sobre estratégia de vendas porque viu no WhatsApp que "a concorrência tá crescendo".
O lado inverso também existe: quem conhece muito menospreza o próprio conhecimento. O dev experiente fica quieto porque "conhece demais para explicar". O especialista em RH muitas vezes cede à pressão de pessoas que "têm certeza" do que precisa ser feito.
O grande problema: o pitaco sem contexto
A questão não é se áreas devem se criticar mutuamente. Devem sim — isso é saudável. O problema é quando a crítica vem de quem não entende o contexto, não conhece as restrições e não tem disposição de se colocar no lugar do outro.
Um exemplo claro: o financeiro entra em reunião e diz "isso é simples, é só cortar custo". Só que não conhece por que o marketing precisa daquela verba. O jurídico demora 20 dias para validar algo e vira "o jurídico que atrasa tudo". Só que ninguém pergunta se há risco real, se há regulação envolvida, se há complexidade que justifique o tempo.
Essa é a diferença entre crítica saudável e pitaco vazio: maturidade.
Quando a crítica funciona (e quando não funciona)
Crítica entre áreas é saudável quando existe:
- Confiança — você sabe que o outro tá falando para melhorar o projeto, não para te ferrar
- Contexto — você se propõe a entender por que uma decisão foi tomada antes de criticá-la
- Maturidade — quem critica tem conhecimento suficiente (ou humildade de aprender) para fazer críticas construtivas
- Transparência — a conversa acontece de frente, em fórum de liderança, não em fofoca de corredor
O que acontece em 90% das empresas é o oposto: time A reclama de time B nos bastidores, o gestor de A passa isso com ressentimento para o time, aí time A vira inimigo de time B, e os problemas reais nunca são resolvidos.
A solução que ninguém quer colocar em prática
Construir confiança entre líderes de áreas diferentes requer trabalho contínuo e transparência sem politicagem. Não é um retiro espiritual. Não é cantar Kumbaya. É todos os dias, no café, na reunião, sendo corajoso o suficiente para dizer a verdade e maduro o suficiente para ouvi-la.
O livro Os 5 Desafios das Equipes mostra exatamente como isso funciona na prática: uma gestora assume uma empresa cheia de problemas, times que se odeiam, e começa a construir confiança de verdade, sem atalhos.
O que fica
A dinâmica de conflito entre áreas corporativas não vai desaparecer. Mas ela deixa de ser destrutiva quando as pessoas entendem que crítica saudável requer maturidade, contexto e disposição de aprender. E quando os líderes de cada área têm coragem de falar a verdade um com o outro, sem medo de parecer político. Porque no fim, empresa que avança é aquela onde os líderes conseguem se cobrar de forma saudável, sem pitaco vazio e sem fofoca no corredor.
Ouça o episódio completo para entender melhor essa dinâmica e as histórias reais de conflito que os três viveram em suas carreiras.
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Sobre o Bingo Corporativo
O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.
Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.
