Trabalhar durante as férias, certo ou errado? (... e Chaves em Acapulco).

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Férias é aquele assunto que parece simples, mas mexe com a gente de um jeito que ninguém espera. Você marca aqueles dias no calendário meses antes, mas quando chega a hora, sente aquele frio na espinha: será que consigo ficar longe do trabalho? A questão não é só descansar—é se conseguir realmente desligar do trabalho durante as férias sem culpa, sem ansiedade, sem aquele WhatsApp que te dá um "bode".

Nós três aqui—Abramo, Japoca e Salomão—temos histórias bem diferentes com férias. E é justamente essa diversidade que torna o tema tão interessante. Porque a relação que você tem com férias diz muito sobre como você se relaciona com responsabilidade, ego e bem-estar.

Existem histórias demais de pessoas em Grécia trabalhando como se estivessem no escritório. De gente na praia respondendo e-mail. De pais que não conseguem estar 100% presentes porque "e se precisarem de mim?". A resposta, sincera? Não vão precisar. Mas você não acredita nisso até tirar férias de verdade.

Cada um tem uma relação diferente com férias

Quando você sobe na carreira, a relação muda. No começo, você tira e pronto—férias é férias. Mas quando você vira gestor, aquela sensação aparece: "Se eu sair, o castelo vai ruir". A verdade é que essa sensação é 90% ego e 10% realidade.

Tem gente que sempre vendeu dias de férias. Tem gente que tirou 30 dias na vida inteira pela primeira vez quando a empresa praticamente obrigou. E tem gente que, mesmo de férias, entra no e-mail todo dia "só para ver se tem emergência". Spoiler: nunca tem.

Trabalhar nas férias faz bem para sua imagem—e aí está o problema

Vamos ser honesto: em 90% das empresas, você ficar disponível nas férias é bem visto. A pessoa pensa "posso contar com essa pessoa". Parece bom. É exatamente a armadilha.

Porque quando você responde aquele Slack na praia, quando você participa daquela reunião "rápida" de férias, você está criando uma expectativa que nunca mais sai. As pessoas vão passar a acreditar que você sempre está disponível. E sair dessa reputação é praticamente impossível.

O método de "aparecer uma vez por semana" ou "deixar o celular pessoal disponível" soa bem em teoria. Na prática, esses sinais de fumaça viram uma armadilha. Você fica marcado como "a pessoa que você consegue acionar nas férias".

O ego é o verdadeiro vilão aqui

A questão mais incômoda é essa: ninguém precisa de você. Sua equipe, sua empresa—funcionam perfeitamente bem por 20, 30 dias sem você. O máximo que acontece? Elas descobrem que conseguem resolver coisas sozinhas. E isso não prejudica ninguém. Pelo contrário.

Quando as pessoas precisam se virar, ganham autonomia. Quando você desliga, você volta mais criativo, mais produtivo, com energia real. Mas para isso acontecer, você precisa estar realmente de férias—não aquele negócio de "estou na praia mas minha cabeça está no trabalho".

A cultura brasileira complica tudo

Nossa relação com férias é bem diferente da de um francês ou de um australiano. Lá na Europa, as pessoas planejam férias meses antes e ninguém questiona. Você compra ingresso para um show daqui a 6 meses? Então você tira férias naquela data. Acabou.

Aqui no Brasil, tem um constrangimento estranho. As pessoas chegam para o chefe pedindo desculpas pelas férias, como se estivessem pedindo um favor. "Chefe, eu ia tirar férias..." Com constrangimento. É um direito seu.

O futuro é produtividade, não horas trabalhadas

A gente ainda mede trabalho em horas. Você trabalhou 8 horas? Étimo. Mas produziu o quê? Aquela mentalidade vem da Revolução Industrial e não faz mais sentido. O futuro do mercado de trabalho vai ser sobre entrega, sobre objetivos alcançados—não sobre quantas horas você passou na cadeira.

Quando você tira férias de verdade e descansa direito, você volta gerando mais valor. É matemática simples. Uma semana de 4 dias com pessoas descansadas pode produzir mais do que 5 dias com pessoas queimadas.

O que fica

Tire férias de verdade. Não é preguiça. Não é irresponsabilidade. É estratégia. É cuidado com você mesmo. E é também dar um sinal para sua equipe de que você valoriza descanso—porque o que você faz vale muito mais do que o que você fala. Se seu gestor tira férias de verdade, sua equipe aprende que isso é possível. Se você trabalha nas férias "discretamente", sua equipe aprende que fingir que está de férias é normal.

A empresa sobrevive sem você. Sua saúde mental não sobrevive sem descanso real. Escolha seus valores.

Ouça o episódio

Se você quer entrar nessa conversa com a gente, ouça o Episódio #36 do Bingo Corporativo. Tem história de férias em Acapulco, referência ao Chaves, e reflexões que vão fazer você repensar essa relação toda com descanso.

Onde ouvir

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Sobre o Bingo Corporativo

O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.

Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.

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