Você se formou e foi trabalhar com outra coisa? Bem-vindo ao clube. A pergunta sobre se diploma ainda vale a pena no mercado de trabalho não tem resposta única — e o número que melhor resume isso é desconfortável: no Brasil, apenas um em cada dez recém-formados consegue uma vaga formal equivalente ao próprio nível de capacitação.
Some a isso outro dado: segundo o IBGE, cerca de 76,9% dos trabalhadores brasileiros nem chegaram a completar o ensino superior. O mercado, na prática, é feito de gente que aprendeu fora da sala de aula. Isso conversa diretamente com o que a gente já discutiu em estudo e carreira — mentiras e verdades sobre o que realmente funciona.
Foi sobre essa tensão que a gente brigou no episódio. De um lado, o diploma como abre-portas. Do outro, a ideia de que o que conta mesmo é o que você fez depois.
Existe profissão que exige diploma — e outras onde ele é só desejável
Médico, advogado, engenheiro: o conteúdo da formação é parte do trabalho, não dá pra fugir. Já em marketing, vendas, comunicação ou programação, o diploma vira "desejável". O que pesa é a trajetória, a aptidão e o quanto a pessoa corre atrás. Um dos melhores devs e um dos melhores profissionais de marketing citados no episódio não têm curso superior — só estudam muito e trabalham muito.
Trabalhar fora da área de formação virou regra, não exceção
A história linear dos nossos pais — forma, pega o diploma, segue um rumo traçado — acabou. Hoje é comum alguém formar em jornalismo, fazer MBA em contabilidade e parar em administração. O currículo virou colcha de retalhos, e tudo bem. A gente já puxou esse fio em especialista ou líder: existe carreira em Y ou estão te enganando?, quando a discussão sobre trajetórias não-lineares ficou bem quente.
O diploma conta uma história, mas não diz se você é bom
Na hora de recrutar, onde a pessoa estudou e o que cursou conta sobre a trajetória dela: a curiosidade, as escolhas, de onde ela veio. Mas não determina se ela é boa ou ruim no trabalho. É informação, não veredito. Tem um episódio só sobre isso: o que é ser sênior de verdade — e spoiler: diploma não aparece como critério central.
A busca constante por conhecimento é o que não envelhece
As matérias técnicas envelhecem rápido — quem se formou antes do smartphone que o diga. O que sobrevive é a base (filosofia, sociologia, a essência da comunicação) e o hábito de continuar estudando. Finanças, estruturação de time de vendas, a indústria onde você atua: nada disso cai do céu. Curiosamente, a maior parte das melhores pessoas em vendas citadas no episódio vinha de administração e economia, não da própria área técnica. Como comentamos ao falar de inteligência artificial e pra onde as coisas estão indo, a capacidade de aprender continuamente virou o ativo mais valioso de qualquer carreira.
Tem cargo onde o diploma nem é exigido — incluindo o STF
Caso extremo: para ser ministro do Supremo Tribunal Federal, a Constituição exige "notável saber jurídico", e há discussão pública sobre o fato de o texto não citar expressamente bacharelado em Direito entre os requisitos. E o diploma de jornalista, aliás, deixou de ser obrigatório por decisão do STF.
O que fica: a pergunta "diploma ainda vale a pena no mercado de trabalho?" está mal formulada. O papel é discutível, o conhecimento é certo. Pare de se preocupar em ter um quadro na parede e comece a se preocupar em ser muito bom no que faz — e em nunca parar de estudar, do jeito que for.
O episódio inteiro tá no ar, com a discussão completa e os momentos PDI de cada um. Dá o play e tira sua própria conclusão.
Momento PDI
- Salomão — Suits (série) — acompanha um gênio que atua como advogado sem ter diploma, conectando direto com o tema do episódio.
- Shapoka — Rei Lear, de William Shakespeare — descoberto em aulas de teatro; obra atemporal sobre poder, ciúme e relações familiares, que ele recomenda ler em inglês.
- Shapoka — Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis — citado como exemplo de clássico que faz muito mais sentido quando relido já mais velho.
- Abramo — Becoming Warren Buffett (2017) — documentário sobre o investidor que estudou para fazer o que queria, não o que esperavam dele.
- Bingo Corporativo — Erin Brockovich (filme) — citado de passagem sobre atuar na área jurídica sem formação tradicional.
- Abramo — Warren Buffett — usado como exemplo de profissional que estudou muito e moldou a própria trajetória pelo conhecimento aplicado.
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Sobre o Bingo Corporativo
O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.
Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.
