🎙️ O que você queria ser quando crescesse? - Bingo Corporativo #104

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Você lembra de quando falava "tenho a vida inteira pela frente"? Em algum ponto entre os 30 e os 40 essa frase some do vocabulário. E aí bate a pergunta incômoda: o que fazer da carreira depois dos 40, quando metade do jogo já passou e você não virou o que imaginava aos 17?

Neste episódio a gente sentou pra encarar isso de frente. Os três dobraram os 40, e cada um trouxe sua versão do "quando eu crescer eu quero ser". Teve quem quisesse ser lixeiro (pela boleia do caminhão), quem quisesse ser presidente do Brasil (pela lógica infantil de "qual trabalho paga melhor?") e quem só quisesse escrever historinha em quadrinho. Spoiler: ninguém seguiu o roteiro original — e tá tudo bem.

Porque a ideia de que a escolha aos 17 é definitiva ficou no século passado. Antigamente uma pessoa tinha uma profissão a vida toda; hoje a média é de 2 a 3 carreiras ao longo da vida. Isso conversa diretamente com o que discutimos em Especialista ou Líder: existe carreira em Y ou estão te enganando? — a ideia de que o caminho profissional raramente é uma linha reta. E o mercado acompanha: segundo o IBGE, a fatia de trabalhadores de 50 a 59 anos e 60+ no Brasil subiu de 19,1% das pessoas ocupadas em 2012 para 24,3% em 2024.

Escolher profissão aos 17 anos é uma crueldade — mas não uma sentença

É absurdo pôr um adolescente contra a parede pra decidir a vida inteira. A boa notícia: aquela escolha define no máximo a primeira faculdade, não o destino. Tem gente que se formou top em Direito e hoje é astróloga, ganhando mais e mais feliz. A primeira porta não tranca as outras. A gente já puxou esse fio em Empreender: chegou a sua hora ou isso não é para você? — porque muita gente que "errou" a primeira carreira encontrou o caminho justamente ao largar o convencional.

Recomeço profissional: por que agora é o melhor momento

Os clichês existem porque às vezes são verdade: Tolkien publicou O Senhor dos Anéis aos 63 anos. Mas o ponto vai além — em tecnologia, custo e barreira de entrada, recomeçar nunca foi tão acessível. É mais provável você dar uma grande virada hoje do que na época do Coronel Sanders.

Reclamar não é pivotar: o limite entre coragem e fuga

Aqui mora a ressalva.

"Você nunca cresce no lugar que você amaldiçoa."
Mudar de área porque você se conhece melhor é uma coisa. Pular fora toda vez que o trabalho fica difícil é outra. Como comentamos ao falar de Job Hopping: estratégia pra aumentar seu salário ou queimação de filme?, existe uma linha tênue entre movimentação estratégica e fuga de responsabilidade. Vale entrar de coração aberto, ralar, e só então decidir se aquilo é seu — em vez de resmungar do dia um.

Propósito no trabalho: comece pelo próximo mais próximo

"Vou mudar o mundo" é sonho de jovem. Com o tempo, a escala muda. A lição que ficou foi de uma avó, a Dona Dagmar: antes de fazer o bem ao próximo, faça o bem ao seu próximo mais próximo — a parábola do bom samaritano, sem ela saber que estava citando a Bíblia. O impacto que você tem na sua equipe, na família de quem trabalha com você, é concreto e está ao alcance da mão. Tem um episódio só sobre isso: Perspectiva: o que importa mesmo quando a vida aperta — que discute exatamente como rever prioridades quando o trabalho ocupa espaço demais na vida.

O que fica: a pergunta certa não é "será que errei a escolha que fiz aos 17?". É o que você quer fazer da carreira depois dos 40, sabendo que sua essência — aquela criança que sonhava — é o que reaparece na hora do aperto e guia as decisões que realmente importam.

Dá o play no episódio completo e vem refletir com a gente sobre o que você queria ser quando crescesse. A conversa rende.

Momento PDI

  • ShapokaO Ato Criativo: Uma Forma de Ser — Rick Rubin — livro leve sobre criatividade e o olhar do artista, escrito por um dos maiores produtores musicais do mundo (que não toca nenhum instrumento); indicado originalmente pelo Cleiton Maranhão.
  • ShapokaRick Rubin — produtor citado pelo fun fact de ter buscado Johnny Cash no fim da vida para gravar o último disco de covers.
  • Shapoka"Hurt" — Johnny Cash — cover sugerido por Rick Rubin que virou um dos maiores momentos da carreira de Johnny Cash; vale a pena ouvir.
  • SalomãoSteve Jobs — Walter Isaacson — biografia muito bem escrita sobre um cara que mudou o jeito de usar smartphone, ouvir música e o computador; conta dos conflitos na empresa, da expulsão e da reinvenção dele na Pixar.
  • AbramoClube de Literatura Clássica — assinatura que manda um clássico de capa dura por mês, com edições lindas e preço justo; herança de estante, segundo ele.
  • AbramoO Conde de Monte Cristo — Alexandre Dumas — um dos seus livros favoritos, no top 4 da vida; foi o que o fez assinar o clube (depois que o cachorro Luke comeu a edição antiga).
  • AbramoCrime e Castigo — Dostoiévski — citado como brinde que veio junto na compra do Conde de Monte Cristo.
  • AbramoQuincas Borba — Machado de Assis — edição do mês no clube de literatura, citada com entusiasmo.
  • AbramoO Alienista — Machado de Assis — conto que veio de brinde com o Quincas Borba; uma de suas histórias favoritas.
  • SalomãoComo Fazer Amigos e Influenciar Pessoas — Dale Carnegie — exemplo de livro que está na lista dos mais vendidos há décadas; se algo é sucesso há tanto tempo, é porque funciona.
  • Bingo CorporativoJ. R. R. Tolkien — citado como inspiração: publicou O Senhor dos Anéis aos 63 anos, símbolo de que dá tempo de realizar grandes obras mais tarde.
  • Bingo CorporativoCoronel Sanders (Harland Sanders) — exemplo clássico de virada tardia, fundador do Kentucky Fried Chicken (KFC).
  • Bingo CorporativoMamonas Assassinas — usado na (polêmica) comparação com Tolkien sobre obra única deixada no auge.
  • Bingo CorporativoParábola do bom samaritano — referência por trás da lição da Dona Dagmar: fazer o bem ao próximo mais próximo.
Manual de Sobrevivência Corporativa: Gen Z
O livro do Bingo Gostou deste papo? O livro vai mais fundo.

Manual de Sobrevivência Corporativa: Gen Z — 11 capítulos sobre a geração que mudou as regras do trabalho, na mesma voz do podcast. Sem frase pronta.

Quero o manual — R$59 Livro físico · 11 capítulos

Onde ouvir

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Sobre o Bingo Corporativo

O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.

Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.

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