Quase todo brasileiro que trabalha no corporativo já teve aquela vontadezinha: quando empreender ou continuar no CLT? No episódio #106 do Bingo Corporativo, sentamos com Lucas Vargas, sócio e cofundador da HubSegs e da Hub2U, para separar o mito da realidade. E o número de fundo ajuda a entender o tamanho do tema: segundo o GEM 2024, o Brasil tem 47 milhões de pessoas à frente de algum negócio, formal ou informal — a maior taxa de empreendedorismo em quatro anos.
Só que tem um lado que ninguém posta no feed. Levantamento do Sebrae aponta que cerca de 38% das empresas fecham antes de cinco anos, e entre os MEIs a sobrevivência cai para 57,7%. Empreender pode ser libertador, mas também é sádico, como o próprio Lucas admitiu. Tem dia que você se acha rico. No outro, leva três tapas na cara.
A conversa foi honesta justamente por isso: ninguém aqui vendeu fórmula mágica. Isso conversa com o que a gente já discutiu ao falar de Phil Knight e as quase falências da Nike — fundar algo do zero é conviver com o abismo de perto, o tempo todo.
Sair do mundo corporativo para empreender: a hora certa não existe pronta
Lucas postergou por anos, e o Shapoka também: "estou novo demais", "agora vou casar", "agora tem filho". A virada veio quando ele raciocinou que, se desse errado em quatro ou cinco anos, ainda dava para se recolocar. Coragem com pé de meia, não coragem cega. A gente já puxou esse fio em Algema de Ouro — por que você continua nesse emprego: o conforto do emprego atual muitas vezes é o maior freio para qualquer movimento de vida.
Empreendedorismo por necessidade ou oportunidade
O Salomão lembrou que o brasileiro é tido como empreendedor "por natureza". O Shapoca cortou: boa parte disso é necessidade pura, porque o país é difícil. Lucas e o Shapoka empreenderam por escolha — mas reconheceram que são minoria. A maioria abre negócio porque foi encurralada, não porque sonhou.
As dificuldades de quem abre o próprio negócio
Sem back office pronto, você vira CEO de manhã, executivo de contas à tarde e assistente do contador no fim do dia. Lucas disse que oito anos empreendendo o forjaram mais do que quinze no mercado de seguros. Você aprende tributário, RH, marketing, jurídico — uma faculdade acelerada. A dica dele: foque no que você já é muito bom, porque os primeiros anos vivem da figura do fundador. Tem um episódio só sobre isso: o que é ser sênior de verdade — e a resposta tem tudo a ver com dominar de verdade um campo antes de querer expandir para todos os outros.
A montanha-russa do empreendedor e a falsa segurança do CLT
Um amigo médico ensinou ao Lucas a lição mais útil: esqueça renda mensal, sua receita é anual. O Shapoka completou com disciplina de formiga — joga o sarrafo para baixo, segura o caixa, não comemora cedo. E a segurança do CLT? Muitas vezes é ilusão. Como comentamos ao falar de resiliência no mundo corporativo, a diferença entre dar certo e dar errado é simples de dizer e difícil de viver: resiliente é quem persiste com leitura de cenário; teimoso é quem insiste contra a realidade.
O que fica: decidir quando empreender ou continuar no CLT não é sobre fugir de um chefe ou perseguir faturamento de tela de celular. É sobre saber se você aguenta a montanha-russa, se domina algo de verdade e se tem fôlego para resolver problema que não dá para passar para o andar de cima.
Dá o play no episódio #106 e ouça a história completa do Lucas — inclusive o bingo binário que colocou o convidado contra a parede. Vale o papo.
Momento PDI
- Bingo Corporativo — A Vida Secreta de Walter Mitty — Lucas indicou esse filme com Ben Stiller por retratar a transição de quem está estagnado no corporativo e passa a viver mais.
- Salomão — Ganhando Tração (Traction) — livro técnico sobre como fazer uma empresa já existente ganhar tração e governança em várias áreas; recomendado por um corretor que herdou a empresa do pai.
- Shapoka — Mimadinhos (Spoiled Brats) — comédia espanhola na Netflix sobre um empresário que finge falência para tirar os filhos mimados da zona de conforto.
- Shapoka — Corra, Lola, Corra! — clássico alemão de 1998 com Franka Potente, citado pela edição e trilha ousadas e pela corrida contra o tempo que lembra a vida do empreendedor.
- Abramo — Podêntrevista (Potter Entrevista) — podcast indicado, com destaque para o episódio com Rossandro Klinjey sobre tecnologia e o futuro do trabalho.
- Abramo — Nós na História — podcast já indicado anteriormente pelo Abramo, citado como porta de entrada para o Potter.
- Abramo — Rossandro Klinjey — psicólogo e empresário que pensa o mundo a partir do ser humano; já entrevistado pelo Abramo no Hotmart Cast.
- Bingo Corporativo — Franka Potente — atriz alemã, protagonista de Corra, Lola, Corra!, mencionada na discussão sobre o filme.
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Quero o manual — R$59 Livro físico · 11 capítulosOnde ouvir
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Sobre o Bingo Corporativo
O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.
Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.
