Numa manhã de agosto, Simone Biles fez algo que parou a internet: depois de ser superada na final do solo, ela se curvou diante da brasileira que levou o ouro. Esse gesto reacendeu uma pergunta antiga sobre como lidar com a concorrência no trabalho — respeitar quem te venceu é elegância ou é entregar o jogo? Um ex-jogador da NFL chamou a reverência de "vergonhosa", dizendo que rebaixava o time americano. Tomou uma chuva de críticas.
O contexto ajuda a entender a cena. Rebeca Andrade soma hoje dois ouros, três pratas e um bronze, e com isso virou a maior medalhista olímpica brasileira de todos os tempos, segundo o Comitê Olímpico do Brasil. Quatro dessas medalhas vieram só em Paris 2024, e o ouro no solo veio justamente sobre Biles, considerada a maior ginasta da história nesse aparelho.
A partir daí, a conversa deixou o tatame e foi pro escritório. Concorrência é uma só coisa? Ou interna e externa pedem comportamentos diferentes?
Concorrência interna: cooperar rende mais que cotovelada
Dentro da empresa, exaltar o colega e dividir os créditos constrói reputação. Quando a autoria do trabalho fica clara, motiva; quando some, desmotiva na hora. Passar por cima dos pares raramente compensa — a não ser, no limite, quando vira pura sobrevivência. E, ainda assim, o caminho mais saudável costuma ser procurar outro lugar. Isso conversa com como ser competitivo sem se tornar babaca, um tema que já destrinchamos com bastante cuidado por aqui.
Quando a empresa fabrica rivais sem querer
O problema é que rivalidade nem sempre nasce de má intenção. A empresa cria um cenário de pressão — corta dois a cada ano, sinaliza que vai cortar mais — e gente bem-intencionada, reagindo a provocações, começa a brigar. Ninguém vai trabalhar planejando destruir o outro. É emocional, e todo mundo se acha o herói da própria história. A gente já puxou esse fio em pitaco, disputa entre áreas e a arte de atrapalhar, e o padrão se repete com assustadora consistência.
Concorrência externa: feroz, mas sem comprometer o cliente
Aqui a régua muda. Dá pra querer demolir o argumento do concorrente todo dia e ainda assim ser justo. O segredo é reconhecer onde o outro é bom e mostrar com clareza onde você entrega mais — isso te aproxima do cliente, mostra que você é consultivo e não vendedor a qualquer custo. Inclusive dizer "não sou a solução pra você agora, talvez o concorrente seja" é uma jogada de respeito que rende a longo prazo. A linha vermelha: jamais sabotar o negócio do cliente só pra prejudicar o rival. Tem um episódio só sobre isso: transparência no trabalho — liberdade ou cilada corporativa, que bate direto nessa tensão entre ser honesto e proteger os próprios interesses.
Respeito não é fraqueza
Biles já tinha sido a número um por anos. Quando você já consolidou sua imagem, aplaudir quem chegou na frente custa pouco e diz muito. A disputa justa torna a conquista maior — pros dois lados. Como comentamos ao falar de o que realmente define quem entrega mais, alta performance não é só resultado — é também a postura com que você chega lá.
O que fica: aprender como lidar com a concorrência no trabalho é entender que respeitar quem te venceu não te diminui. Massacrar o adversário pode até dar uma vitória rápida, mas é a postura de quem reconhece o jogo justo que sustenta carreira, reputação e resultado lá na frente.
Quer ouvir o papo completo, com binário, Rádio Pião e a treta sobre Bernardinho aplaudindo (ou não) o Zé Roberto? Dá o play no episódio #52 do Bingo Corporativo.
Momento PDI
- Shapoka — Sprint (Netflix) — série sobre velocistas dos 100m e 200m que mostra a mistura de competitividade extrema e convivência entre atletas.
- Salomão — Dirigir para Viver / Drive to Survive (Netflix) — série da Fórmula 1 que expõe disputa de dinheiro, ego e a pressão sobre cada posição das equipes.
- Abramo — Brawn: Uma História Incrível da Fórmula 1 (Star+) — apresentada por Keanu Reeves, conta a saga da Brawn GP comprada por Ross Brawn e a temporada de Rubens Barrichello.
- Abramo — 18 Princípios para Você Evoluir — Charles Wicca — livro do criador de conteúdo de economia citado a propósito da ideia de fazer o que o "guru" fazia antes de ficar rico.
- Bingo Corporativo — Simone Biles — ginasta americana cuja reverência a Rebeca Andrade no pódio do solo abriu a discussão do episódio.
- Bingo Corporativo — Rebeca Andrade — ginasta que venceu o solo em Paris 2024 e se tornou a maior medalhista olímpica do Brasil.
- Bingo Corporativo — Jordan Chiles — ginasta americana que também reverenciou Rebeca no pódio.
- Bingo Corporativo — Bernardinho — técnico citado pelo resultado histórico do vôlei masculino em Paris e a comparação com Zé Roberto Guimarães.
- Bingo Corporativo — Carruagens de Fogo — filme cujo tema musical foi lembrado como trilha de encerramento olímpico.
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Sobre o Bingo Corporativo
O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.
Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.
