Massacra ou releva, o momento de passar por cima da área vizinha (... e eu já passei por quase tudo nessa vida)

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Você já passou por cima de uma área vizinha para resolver algo importante? A questão quando passar por cima de área vizinha no trabalho é mais comum do que parece nas empresas brasileiras, e as respostas são mais complexas do que um simples "massacre ou releva".

No episódio #45 do Bingo Corporativo, Abramo, Shapoca e João Salomão conversam sobre esse dilema universal: como lidar com áreas que empacam seu projeto, sem destruir relacionamentos no caminho. Spoiler: existe um jeito de fazer isso que funciona melhor.

O Cenário Real: Duas Situações Diferentes

Nem todo "atropelo" é igual. Existem dois cenários que precisam de respostas diferentes:

Primeiro: você precisa fazer algo que é responsabilidade da outra área, porque ela não conseguiu (ou não quis) fazer. Aqui, o cuidado é maior. É função deles, você está invadindo espaço legítimo.

Segundo: você sabe que deveria ser feito por outra área, mas ela não vai priorizar nunca, e seu projeto sofre. Esse é mais defensável—você está protegendo algo que importa.

A Armadilha Invisível do Massacre Frequente

Quando você vira a pessoa que resolve tudo, as áreas começam a contar com isso. Elas deliberadamente não fazem porque sabem que você vai lá, pega e faz. Você deixa de ser solução e vira cruteta permanente.

E tem mais: você sacrifica o tempo que deveria estar no seu beabá principal, sobrecarregando seu time ou a si mesmo. O relacionamento fica tenso, as pessoas ficam melindrosas ("ele quer pegar meu lugar"), e a empresa segue ineficiente.

O Caminho que Funciona: Alinhe Antes de Agir

A saída menos bélica (e mais eficaz) é conversar aberto com quem tá na outra área. Não é um pedido fraco—é uma proposta: "Sei que você tá ferrado aí, posso contratar um headhunter pra isso? Posso tocar por outro ângulo?" Quando você oferece em vez de invadir, a pessoa relaxa.

Se não rolar: documente. Mande e-mails, registre status públicos de demandas, dê tiro de aviso. Torna tudo oficial, transparente. No terceiro aviso, você dá um prazo final: "Se não tiver retorno até amanhã ao meio-dia, vou seguir por este caminho."

Hierarquia Não é Desculpa (Mas Muda a Tática)

Você faz igual com estagiário, colega e diretor? Depende. No dia a dia, a abordagem é a mesma: colega de trabalho, vamos junto. Mas se precisar escalar, as estratégias mudam. Com alguém mais junior, você pode ir no par deles e pedir um toque. Com alguém no mesmo nível, você copia a reunião se precisar. Com alguém mais senior, você convida para a solução antes de ela estar pronta e dá todo o mérito.

Massacre ou Releva? Depende da Intenção

Projeto crítico atrasa porque a área segue regra à risca? Massacre na boa. Área incompetente, mas amiga do presidente? Releva e faz outras coisas. Seu chefe pediu para maneirar? Releva, independente de estar certo ou errado.

A diferença real é esta: você passa por cima para resolver um problema coletivo ou para ganhar espaço político? Se for a primeira, faça. Se for a segunda, você virou parte do problema que reclamar depois.

O Que Fica

Não existe resposta perfeita para quando passar por cima de área vizinha. Mas existe um jeito que protege você, as pessoas e a empresa: tente diálogo, documente, avise, e só então agir—sempre discreto, sempre protegendo quem tá envolvido. Porque massacre sem proteção vira uma guerra que você perde no longo prazo.

Já passou por quase tudo nessa vida? Então sabe que relacionamento bate processo toda vez.

Ouça o episódio completo do Bingo Corporativo para as histórias reais, as dicas políticas e o bingo final (spoiler: tem massacre, porrada e paulada).

Onde ouvir

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Sobre o Bingo Corporativo

O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.

Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.

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