Massacra ou releva, o momento de passar por cima da área vizinha (... e eu já passei por quase tudo nessa vida)

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Toda empresa tem aquela cena: você precisa entregar um projeto com prazo apertado, mas depende de uma área vizinha que não te dá retorno. Saber como lidar com área que não entrega no prazo é menos sobre técnica e mais sobre política — porque por trás de cada demanda travada tem gente, ego e território em jogo. A gente já puxou esse fio em política no trabalho e como ignorá-la pode custar sua carreira, e o raciocínio se aplica direto aqui.

E o estrago é real. Quando os times trabalham isolados, os silos geram retrabalho, dificultam decisões rápidas e atrasam entregas, afetando diretamente a produtividade da empresa. Ou seja: o problema não é só seu, é estrutural. Mas quem precisa entregar é você.

Nesse episódio do Bingo Corporativo, Abramo, Salomão e Shapoka abriram o jogo sobre quando massacrar e quando relevar — e admitiram que já passaram por quase tudo nessa vida corporativa.

Passar por cima da área vizinha tem um custo no longo prazo

Resolver na marra parece eficiente, mas cobra a conta depois. Como o Salomão colocou, é aquela batalha que você ganha na hora e paga no longo prazo. Entrar dando carteirada destrava o problema de hoje e planta o conflito de amanhã. Por isso a régua não pode ser "minha área precisa" — tem que ser "isso é bom pra companhia?". Isso conversa diretamente com o que discutimos sobre disputa entre áreas e a arte de atrapalhar, quando todo mundo quer dar pitaco e ninguém quer entender o todo.

Conflito entre áreas raramente é incompetência — às vezes é só sobrecarga

Antes de massacrar, vale a empatia. Tem gente que não entrega porque perdeu alguém do time, ficou doente ou está afogada de demanda. Aliás, nem sempre a culpa é da pessoa: processos de contratação, por exemplo, são lentos por natureza. Não à toa, o Brasil é o país onde os processos seletivos mais demoram, com média de 39,6 dias, segundo levantamento do Glassdoor. Bater na cabeça do RH nem sempre é justo. Tem um episódio só sobre isso: exaustão corporativa e por que trabalhar cansado virou normal — vale entender o contexto antes de acusar quem está do outro lado.

Documentar sem expor é a arte de cobrar sem virar o vilão

O caminho do meio é o registro discreto. Um e-mail de "conforme combinamos, aguardando seu ok", um lembrete, um status num dashboard que diz "aguardando retorno da área X" — sem apontar nome, sem acusar. Você dá o tiro de aviso, deixa documentado e, se alguém perguntar por que travou, a resposta está na tela. Cobrança feita, ponte preservada. Como comentamos ao falar de sinceridade demais no trabalho, há uma diferença enorme entre ser direto e ser inconveniente — e ela costuma definir quem sobe e quem trava a própria carreira.

Quando assumir o trabalho do outro, divida o mérito

Tem hora que você vai ter que pôr a mão e fazer o que não é seu. Quando isso acontece, uma saída elegante é convidar a pessoa pra uma fração do trabalho e dar a ela o crédito. Fica claro que você não está caçando o lugar de ninguém — está destravando o que a empresa precisa. E isso desarma o melindre antes que ele vire briga.

O que fica é simples: saber como lidar com área que não entrega no prazo é distinguir quem está genuinamente na pior de quem está te enrolando. Pro primeiro, paciência e ajuda. Pro segundo, formalidade até a página dois e, se preciso, massacre na boa. O resto é leitura de jogo.

Ouça o episódio completo e descubra quem massacra, quem releva e por que o Shapoca quase nunca atropela ninguém. É papo de quem já viveu — e sobreviveu — a quase tudo nessa vida corporativa.

Momento PDI

  • Bingo CorporativoSilos organizacionais — conceito por trás da treta do episódio: a falta de integração entre áreas que gera retrabalho e atrito no dia a dia.
  • AbramoSolução "cartesiana do way" — referência à abordagem mais formal e estruturada de cobrança, citada como o jeito mais "by the book" de conduzir.
  • Bingo CorporativoDirecional — empresa mencionada ao relembrar uma situação real de dependência de outra área que travou um projeto.
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Sobre o Bingo Corporativo

O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.

Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.

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