Minha ética tem preço: emprego, mentira e o selo verde do LinkedIn

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Existe um jeito certo e um jeito errado de mudar de emprego, e a maioria das pessoas escolhe o errado: espera a insatisfação transbordar, o clima azedar, às vezes espera até ser demitida — pra só então começar a procurar. Errado. Como procurar emprego estando empregado é a jogada que quase todo mundo sabe na teoria e ignora na prática. Com salário caindo na conta, você negocia de pé, não de joelhos. Isso conversa diretamente com o que discutimos sobre job hopping como estratégia de aumento de salário — a lógica é a mesma: movimento ativo vale mais que espera passiva.

Neste episódio a gente foi honesto sobre as pequenas mentiras que já contou pra sumir meia hora e fazer uma entrevista. Dentista, médico, "reunião externa". Sim, dá um peso na consciência. Mas a honestidade total, na maior parte dos casos de início de carreira, é burra — soa vulnerável demais pra quem ainda presta muita conta. A gente já puxou esse fio em As Pequenas Corrupções do Dia a Dia, e a zona cinzenta das "mentiras sociais" no trabalho é mais larga do que a maioria admite.

E teve uma pergunta que ficou martelando: até onde vai a sua ética quando aparece um cargo de C-level num setor que você despreza, pagando um número pornográfico?

Procurar emprego empregado dá mais poder de barganha

Insatisfação vaza. Quem procura vaga já com a carteira assinada sinaliza valor ao mercado e conversa de igual pra igual. Quem procura desempregado costuma aceitar o que vier. A regra é simples: comece antes de precisar. Tem um episódio só sobre isso: como pedir ou conquistar aumento de salário — e boa parte da conversa se resume a nunca negociar sem ter alternativa na manga.

Entrevista no horário de trabalho: honestidade x senioridade

No início de carreira você presta conta de cada saída — e é aí que nascem as desculpas. Em cargos mais sêniores, você simplesmente não justifica pra onde vai. Curiosamente, marcar entrevista no almoço ou no fim do expediente hoje pega bem: mostra que a pessoa respeita o próprio tempo de trabalho. O remoto tornou isso trivial.

O selo Open to Work do LinkedIn ajuda ou queima?

Um post recente de um dev da Cursor AI dizendo pra nunca usar o selo verde viralizou. Nossa posição é de nível: pra cargo júnior, de volume, use — o recrutador vai te achar. Recrutadores ouvidos pela CNBC recomendam a versão do selo visível só para recrutadores em cargos de entrada e pleno. Pra cargo alto, esquece: headhunter de C-level busca pela rede, não pelo selo. E cuidado — o mesmo sinal que atrai também pode virar desculpa pra te pagarem menos. Como comentamos ao falar de marca pessoal e presença no LinkedIn, o que você sinaliza publicamente tem custo — e às vezes o custo é invisível até a hora de negociar.

A ética tem preço? O caso do iGaming

Apareceu um convite pra CRO numa empresa de bet, salário paulista em Belo Horizonte. A tentação bateu. Vale lembrar que o setor foi finalmente regulado: a Lei 14.790, a "Lei das Bets", foi sancionada em dezembro de 2023. Regulado não é sinônimo de tranquilo pra consciência — e é aí que cada um descobre o próprio limite.

O que fica: saber como procurar emprego estando empregado é só metade do jogo. A outra metade é decidir, antes da proposta chegar, quanto vale a sua ética — porque test drive em carro que você quer comprar é perigoso.

Dá o play no episódio #157 e me conta: o seu selo verde está ligado agora?

Momento PDI

  • ShapokaAlquimia — Rory Sutherland — livro sobre a importância das decisões não lógicas e do comportamento humano na hora de comprar e escolher.
  • SalomãoCriatividade Exponencial — Allan Barros — do publicitário por trás de campanhas da Casas Bahia; ensina a escalar publicidade acessível usando IA.
  • AbramoVogalizando a História — canal/podcast de história do Brasil, bem "texto", indicado pra quem curte café, economia e história nacional.
  • Bingo CorporativoPost do dev da Cursor AI sobre o Open to Work — publicação viral no X afirmando que o selo verde é sinal negativo pra gestores e recrutadores.
  • Bingo CorporativoMarcos Valério (DNA / SMP&B) — citado como o "Master dos anos 2000": agências boas envolvidas na treta do Mensalão que respingou no currículo de quem trabalhou lá.
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Sobre o Bingo Corporativo

O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.

Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.

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