Tem uma frase que resume o episódio inteiro: sua marca pessoal vai acontecer independente de você querer ou não. A questão nunca foi se ela existe — é quem está no comando dela. E é exatamente aí que a maioria das pessoas perde o jogo de como construir marca pessoal no trabalho: deixa que os outros interpretem do jeito que quiserem, em vez de direcionar a leitura.
O assunto não nasceu no LinkedIn. Nasceu no Uga Uga das cavernas, no líder que tinha "cara de bravo" e por isso ninguém chegava perto — mesmo sem ser bravo de verdade. A imagem que você projeta sempre comunicou algo. A diferença é que hoje dá pra fazer isso de forma intencional. Isso conversa com ser inesquecível do jeito certo, que já discutimos em outro episódio.
E intencional é a palavra-chave. Marca pessoal não é um traço de personalidade que você tem ou não tem. É uma decisão.
Marketing pessoal começa em fazer mercado, não em aparecer
Marketing, no fundo, é fazer mercado — se colocar nele. Aplicado à pessoa, vale lembrar os quatro Ps clássicos de Kotler: produto, preço, praça e promoção. Você é o produto. O preço é o que você cobra. A praça é onde você está. A promoção é como você comunica. Imagem é só uma parte da história.
Diferenciação profissional: o erro da camisa preta
Se você for à estratégia do Michael Porter, sobram dois caminhos viáveis: diferenciação e foco — porque competir por menor preço ninguém quer. Foco é virar referência absoluta num nicho. Diferenciação é ter algo que os outros não têm. O exemplo da gola alta do Steve Jobs ilustra bem: funcionava porque sinalizava minimalismo e foco em outro lugar. Quando todo mundo copia o uniforme, ele deixa de diferenciar e vira só mais um na multidão. A gente já puxou esse fio em a verdade sobre se destacar no trabalho, e vale muito cruzar os dois raciocínios.
Marca pessoal autêntica: o passo 1 não é o LinkedIn
Antes de pensar em postar, entenda sua essência: valores, DNA, o que você faz de bom. Depois, pegue o caderninho, liste as pessoas que influenciam o seu meio e circule entre elas. Café, ligação, um feliz aniversário. Networking de verdade é com quem você é visto e por quem você é visto. Tem um episódio só sobre isso: como não fazer networking — e os erros que ele mapeia ajudam a entender o que construir a favor.
Como se posicionar sem passar do ponto
O exagero tem nome: falastrão, marketeiro, o chato que se vende o tempo todo. Mas o oposto — excesso de introspecção — também cobra preço: você some e perde diferenciação. A saída é sinceridade e tentativa. Com o ruído de hoje, errar uma, duas, três vezes até achar seu tom custa menos do que nunca tentar. Como comentamos ao falar de o que realmente fazer no LinkedIn, encontrar esse tom é um processo — não um clique.
Vale o dado externo: o LinkedIn virou ferramenta central de recrutamento — uma pesquisa apontou que 60% das empresas priorizam o LinkedIn para recrutar profissionais de tecnologia. Estar bem posicionado deixou de ser vaidade.
O que fica: saber como construir marca pessoal no trabalho não é sobre ser exibido nem sobre virar influencer. É aceitar que esse filme já está rodando e assumir a direção dele — com autenticidade, constância e decisões conscientes. Quem não dirige, larga a corrida com lastro maior no kart.
Esse papo rendeu da Idade da Pedra ao kart — com Charlie Sheen no meio do caminho. Dá o play no episódio #112 e vem entender por que sua marca pessoal não espera sua permissão pra existir.
Momento PDI
- Shapoka — aka Charlie Sheen (Netflix) — documentário em dois episódios sobre o ator que cagava pro que pensavam dele; exemplo extremo de marca pessoal blindada à opinião alheia.
- Shapoka — Dias de Areia, de Aimée de Jongh — graphic novel sobre um fotógrafo na Grande Depressão; sobre registrar o passado pra não repetir os piores lugares.
- Salomão — Desmarketize-se, de João Branco — livro curto sobre como o novo marketing não parece marketing; trabalhar marca pessoal sem forçar.
- Salomão — Michael Porter — citado pelas estratégias genéricas (liderança em custo, diferenciação e foco) aplicadas ao posicionamento pessoal.
- Salomão — Philip Kotler — referência dos 4 Ps do marketing (produto, preço, praça, promoção) usados pra estruturar marketing pessoal.
- Abramo — Steve Jobs — citado pela gola alta preta e pelo minimalismo como símbolo de diferenciação consciente.
- Shapoka — Charlie Sheen — protagonista do documentário, descrito como uma definição de Dionísio na Terra pela vida de excessos.
- Shapoka — Martin Sheen — pai de Charlie, citado na fase em que o filho era visto apenas como "o filho de".
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O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.
Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.
