Não existe nada mais triste do que um pão de queijo queimado — e foi com essa alegoria bem mineira que abrimos a conversa sobre o tema do episódio. Como lidar com fracasso na carreira é um assunto que todo mundo enfrenta, ainda que poucos admitam. Se você está vivo, andando, respirando e trabalhando, vai fracassar. Em doses maiores e menores, várias vezes ao longo da vida profissional.
A pergunta que abriu o papo parece simples, mas não é: o que é fracasso? Para alguns, é não chegar a um objetivo que você mesmo traçou. Para outros, fracasso é quando você tinha todo o potencial, toda a ferramenta na mão, e ainda assim não realizou o que se propôs. E tem a camada que a sociedade impõe: a demissão como sinônimo de derrota, mesmo quando, na prática, foi a melhor coisa que aconteceu com a pessoa. Tem um episódio só sobre isso: metas que falharam e como começar de novo com o pé direito.
Aqui vai um ponto que merece atenção: o erro raramente é uma tarefa individual mal feita. Na maioria das vezes em que fracassamos, tem gente envolvida — algo que deixamos de fazer ou que fizemos demais na relação com as pessoas. Reconhecer isso é o primeiro passo para não repetir.
Fracasso da pessoa ou fracasso da empresa?
Se você cumpriu o checklist inteiro dos seus objetivos e mesmo assim não foi promovido, talvez a falha não seja sua. Às vezes a empresa não tem a vaga, está encolhendo, está num momento de baixa. Mas quando uma organização perde gente boa por não ter o que oferecer, ela fracassa com aquela pessoa — e fica mais perto de perder outras. Isso conversa com o que a gente discutiu em turnover e por que os talentos estão indo embora.
Aprender com o fracasso profissional vale mais que o sucesso
Na contratação, quem viveu e sofreu costuma acertar mais. Tem o caso do dono de agência que carregou a empresa nas costas até o fim, pagou todo mundo, não quis dever ninguém. Muita gente veria fracasso ali. Mas é justamente esse tipo de bagagem que torna alguém difícil de substituir. Sofrimento molda caráter — para o bem e para o mal. A gente já puxou esse fio em Phil Knight e como ele quase faliu a Nike dezenas de vezes antes de construir um império.
Saber a hora de parar (sem glamourizar a resiliência)
"Nunca desista" funciona até virar teimosia. Se você está tentando resolver o mesmo problema com as mesmas armas, é sinal de alerta. O conceito de cut the losses — cortar as perdas — vale aqui: defina o quanto você está disposto a perder e, ao chegar nesse limite, não dobre a aposta. Os Axiomas de Zurique, de Max Gunther, falam exatamente disso no contexto financeiro: estabeleça sua perda máxima e respeite-a. Como comentamos ao falar de obstinação, foco e teimosia disfarçada, a linha entre persistência e cabeça dura é mais tênue do que parece.
Desapegar não é fracassar
A série chata na terceira temporada, o namoro de três anos que virou um saco, a carreira de dez anos que você não aguenta mais. O ser humano segura o osso só porque já percorreu muito caminho — e isso é bobagem. Largar o que não faz mais sentido é desapego, não derrota. A grande exceção é o sonho real: aquilo que tem sentido de verdade pede que você vá até o fim.
No fim, como lidar com fracasso na carreira é menos sobre evitar a queda e mais sobre o que você faz depois dela. Quem bate esquece, quem apanha nunca esquece. Use a memória da derrota como combustível para não repetir o erro — e para saber, da próxima vez, a hora de insistir e a hora de parar.
Esse foi um dos episódios mais sinceros que a gente gravou (com direito a pão de queijo sendo mastigado ao vivo). Dá o play e venha rir e refletir sobre os nossos maiores fracassos.
Momento PDI
- Shapoka — Thomas Edison e a invenção da lâmpada — citado pela célebre ótica de não ter "fracassado", mas descoberto várias formas de não se fazer uma lâmpada.
- Salomão — Axiomas de Zurique (Max Gunther) — referência para a ideia de definir o quanto você quer perder e não dobrar a aposta ao atingir o limite.
- Bingo Corporativo — "Fail fast, fail often" (cultura do Facebook) — usado para contrastar a tolerância americana ao erro com o receio latino de falhar.
- Abramo — Escolinha do Professor Raimundo — referência cômica brincando que as piadas do Shapoka pararam no humor dos anos 90.
- Shapoka — Vencedor — Los Hermanos — lembrada como possível "música de fracasso", mas considerada batida demais.
- Salomão — Boate Azul — apontada como uma das maiores músicas sobre fracasso (e desilusão amorosa) da história.
- Bingo Corporativo — Evidências — citada na brincadeira sobre a música em que o sujeito "vai casar, mas o grande amor é outro".
- Bingo Corporativo — Regra das 24 horas — conceito esportivo de viver a derrota por um dia e depois seguir em frente.
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Sobre o Bingo Corporativo
O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.
Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.
