Os modismos do mundo corporativo em 2025 não foram sobre comida de rua nem sobre o gadget da vez. Foram sobre gente sendo demitida por perfil de rede social, sobre banco mandando embora quem não trabalhava de casa e sobre fintech chamando todo mundo de volta para o escritório. O ano corporativo foi quente — e a gente fechou a temporada do Bingo escolhendo as cinco tretas que mais movimentaram o feed.
A tese que costura tudo é simples: 2025 foi o ano em que o pêndulo cultural virou. Depois de uma década de pauta woke, a reação chegou com força — e, em alguns casos, com a mesma intolerância que dizia combater. O termo que melhor descreve isso? Wokismo de direita. Isso conversa diretamente com o que a gente discutiu em o pêndulo corporativo e o momento em que o errado vira certo.
Antes de entrar nos temas, um recado: vários desses episódios ainda vão ecoar em 2026, ano de eleição. Se quiser apostar onde o pêndulo realmente parou, olhe para a festa de fim de ano das empresas.
Demissão por posicionamento em rede social virou esporte
O movimento "demito extremista" pegou fogo depois da morte de um nome conhecido da direita americana. Charlie Kirk foi assassinado a tiros em 10 de setembro de 2025, enquanto discursava na Universidade Utah Valley, em Orem, Utah. A partir daí, perfis que comemoraram a morte foram expostos para os empregadores, gerando uma onda de demissões. Nosso ponto: opinião é livre, mas no instante em que ela vincula sua empresa, a empresa pode agir. Sem juízo de valor — é cálculo de reputação. A gente já tinha tocado nisso em como se comportar em redes sociais sem queimar o filme.
Demissão por home office: o caso Itaú
Aqui a treta foi deliciosa de acompanhar. O Itaú Unibanco demitiu cerca de mil funcionários do regime de home office, alegando quebra de confiança por baixa produtividade. O sindicato repudiou a medida e afirmou que os desligamentos ocorreram sem advertência prévia ou diálogo, baseados em registros de inatividade nas máquinas corporativas — critério que considerou questionável. Teve gente que logava e usava software para manter a tela em movimento. Versão moderna do Homer Simpson com o passarinho apertando o botão. Tem um episódio só sobre isso: vigilância digital e o home office.
Volta ao presencial: o plano longo do Nubank
A fintech anunciou o fim do home office puro, mas em câmera lenta. A partir de julho de 2026, o Nubank passa a operar em formato híbrido, com retorno de ao menos duas vezes por semana, e três dias presenciais previstos para janeiro de 2027. A regra valerá para cerca de 70% dos funcionários e gerou uma carta-manifesto, apoiada pelo sindicato, contra a mudança. Layoff silencioso? Não acreditamos nisso — marca dessas não precisa de cortina de fumaça para cortar. O debate mais interessante é outro: decisão tomada pela empresa ou pela conveniência de quem está no topo? Como comentamos ao falar de o fim do home office no Nubank e o novo normal corporativo, a conta sempre chega para alguém.
O ano do 1 contra 30 e das tretas virais
O formato "um contra trinta" virou a verdadeira modinha do ano, mais forte que bebida sem álcool. E teve o caso Coldplay, que começou como meme e terminou em renúncia: o então CEO da Astronomer, Andy Byron, foi flagrado num abraço íntimo com a diretora de pessoas da empresa durante um show, e renunciou após o vídeo viralizar. Trocadilho corporativo perfeito: o CEO era literalmente quem estava fora do lugar.
O pêndulo cultural e o wokismo de direita
O fio condutor do ano. A reação anti-woke veio, mas em vários momentos repetiu o que criticava: cancelamento, mordaça e "vale o bom senso, desde que o bom senso seja o meu". Em ano de eleição, isso tende a piorar. A gente já puxou esse fio em cultura woke: é sobre respeito ou passou do ponto? — e as respostas continuam dividindo opiniões.
O que fica é isto: os modismos do mundo corporativo em 2025 têm uma raiz comum — a dificuldade de separar opinião pessoal de responsabilidade profissional, e de fazer escolhas de gestão sem se esconder atrás de discurso de cultura. Trabalho continua sendo trabalho. Reputação continua sendo cálculo. E bom senso, quando é só o seu, deixa de ser bom senso.
Esse foi nosso último episódio do ano, e custou para chegar até aqui. Aperta o play, ouve a retrospectiva completa e nos conta qual treta de 2025 te marcou mais.
Momento PDI
- Abramo — Faria Lima Elevator — perfil de humor corporativo citado pela lista das "modinhas" de cada ano (do temaki de 2011 ao "como não beber álcool" de 2025).
- Shapoka — Um Homem de Família (The Family Man) — Nicolas Cage — filme indicado por conversar com o tema de trabalho versus relações humanas, no espírito do Conto de Natal.
- Shapoka — Day Tripper — Fábio Moon e Gabriel Bá — quadrinho brasileiro premiado com o Eisner, que reflete sobre a vida e as decisões; cada capítulo termina com a morte do mesmo personagem.
- Salomão — Um Conto de Natal — Charles Dickens — citado pela história de bastidores: Dickens escreveu o livro às pressas para dar de presente de Natal aos filhos.
- Bingo Corporativo — The Umbrella Academy — mencionada como obra de Gabriel Bá (com Gerard Way), que conheceu o quadrinista por causa de Day Tripper.
- Bingo Corporativo — Charlie Kirk — ativista conservador americano cujo assassinato deu origem ao movimento "demito extremista".
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Sobre o Bingo Corporativo
O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.
Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.
