Perfil Abramo: o trabalho errado, o burnout e a Hotmart

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Existe um tipo de profissional que atrapalha qualquer análise simples: o inteligente e incompetente ao mesmo tempo. Tem cognição, tem raciocínio, tem tudo — e entrega um trabalho fraco. No episódio desta semana, o Abramo abriu o próprio arquivo confidencial e ofereceu uma explicação incômoda pra isso. Boa parte dessa gente não é incapaz. Só está no lugar errado. Por isso, como escolher a carreira certa talvez seja menos sobre ambição e mais sobre honestidade com o próprio talento.

A trajetória dele tem um padrão curioso: nunca entrou num emprego respondendo a uma vaga. Foi sempre indicação de gente com quem estudou ou trabalhou — do RPG ao grêmio estudantil, da assessoria de imprensa para jogadores à Votorantim, Gerdau, Fiat, Direcional e, por fim, a Hotmart, onde já passou de dez anos.

E teve o fundo do poço no meio do caminho: uma fase realocado numa função que não era a dele, forçando um trabalho medíocre, até o corpo cobrar a conta.

Trabalhar com o que se tem talento vale mais que perseguir o cargo da moda

O conselho que ele dá é contraintuitivo. Todo mundo quer aprender a habilidade do momento — análise de dados, por exemplo. Ajuda, claro. Mas se você direciona a carreira pra um lugar onde não tem talento nenhum, vira aquele profissional que nem mediano consegue ser. O caminho mais inteligente costuma ser reforçar onde você já é forte. Isso conversa diretamente com o que discutimos em alta performance e o que realmente define quem entrega mais — a entrega consistente quase sempre vem de quem joga no próprio campo forte.

O começo de carreira é pra amassar o pão

Aos 22, ele fazia gestão de imagem de um goleiro em crise pública. Diego Alves, aliás, terminaria a carreira como o maior recordista de pênaltis defendidos da história do Campeonato Espanhol, segundo o Maisfutebol. Topar funções pesadas cedo — e no interior, onde muita gente não quer ir — colocou ele em desafios de "gente grande" com pouca idade. Foi ali que aprendeu velocidade, exposição e a não esconder erro. A gente já puxou esse fio em como construir uma carreira diversa sem se perder no caminho, onde o Shapoka mostrou que aceitar os desvios cedo é o que molda trajetórias fora do padrão.

Burnout não é fraqueza, é sinal de trilha errada

A fase mais dura foi física. Ele conta que chegou perto de 120 kg, teve febre por semanas seguidas e ficou cego de um olho durante o expediente — insistindo em terminar a entrega antes de ir ao hospital. Isso não é anedota isolada: o Brasil é o segundo país com mais casos diagnosticados de burnout, atrás apenas do Japão, e desde 1º de janeiro de 2022 a síndrome é reconhecida como fenômeno ocupacional na CID-11. O desligamento que veio depois, ele lembra, foi vivido como alívio. Tem um episódio só sobre isso: Burnout ou Mimimi — como o trabalho está adoecendo você, com um médico do trabalho explicando onde o corpo para de mentir.

As pessoas de fora enxergam seu talento antes de você

Um fio conecta tudo: ele quase nunca deu o primeiro passo sozinho. Precisou de empurrão pra liderar no RPG, pra ser presidente do grêmio, pra mudar de área. Quem estava de fora via a capacidade dele com mais clareza do que ele mesmo. Vale prestar atenção em quem aposta em você. Como comentamos ao falar de trocar a carreira corporativa por uma empresa menor, às vezes é alguém de fora — um líder, um sócio, um mentor — que enxerga o encaixe antes da gente.

No fim, a mensagem é direta: como escolher a carreira certa passa por parar de forçar um "nota 6,5" numa trilha que não é sua e ir pra onde você chega ao 9 sem se destruir. Seguir o próprio talento pode render menos no curto prazo, mas remunera no longo.

O episódio inteiro está no ar. Vale ouvir a história completa do Abramo — os empurrões, o burnout e a virada na Hotmart.

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Sobre o Bingo Corporativo

O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.

Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.

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