Tem uma pergunta que assombra quase todo profissional: dá pra mudar de área sem virar aquele currículo que "não fica em lugar nenhum"? A resposta curta é sim — mas como construir uma carreira diversa de verdade exige uma coisa que quase ninguém tem paciência de fazer: aprofundar em cada fase antes de pular pra próxima.
Esse é o fio da história do Shapoka, um dos três hosts do Bingo Corporativo, que abriu o próprio "divã" nesse episódio de perfil. Publicidade na PUC Minas, um semestre na St. John's University em Nova York, assessoria de futebol, mídia impressa, Fiat, uma marca de construção em plena explosão, Hotmart e, agora, sócio de uma agência. Parece caótico. Não é.
O que segura tudo isso é um método quase teimoso de planejamento — e uma frase do pai dele que fica ecoando até o fim: seja respeitado pela pessoa que você é, não pela cadeira que ocupa. Isso conversa com a verdade sobre se destacar no trabalho pelo que você entrega, não pelo posto que ocupa.
Planejamento de carreira começa cedo (e sem pressa)
Ainda no segundo semestre da faculdade, Shapoka descobriu a parceria que permitia estudar fora — mas ela só valia no fim do curso. A jogada? Passar toda semana no Departamento de Relações Internacionais, só pra manter o rosto conhecido. Quatro anos depois, quando abriu a vaga, ele já era da casa. Não é sorte. É construção lenta. A gente já puxou esse fio em a caixa-preta do que realmente faz alguém ser promovido — e adiantar o jogo é sempre parte da resposta.
Mudar de área na carreira sem medo da guinada
Na Fiat, veio o teste de ego: sair da comunicação para comprar mídia. A empresa apostava que era mais fácil ensinar compras a um publicitário do que o contrário. Ele virou o "bad cop" da mesa — o técnico que dizia "isso aqui não vai passar" para agência e veículo já alinhados. Passou cinco anos ali e resume: quem trabalha na Fiat trabalha em qualquer lugar.
De multinacional gigante para o peixe grande na lagoa pequena
Trocar uma das maiores verbas de mídia do Brasil por uma marca familiar de construção assustou o antigo chefe. Mas foi onde ele viveu uma alavancagem absurda: loja própria virou franquia, patrocínio com Galo, Flamengo e São Paulo, CRM de arquiteto, e-commerce. Lição de humildade: ali, nada chegava sozinho — ele tinha que explicar quem era a empresa antes de qualquer negócio. Tem um episódio só sobre isso: ser o chefão na empresa pequena ou só mais um peixinho na multinacional gigante — e o Shapoka viveu os dois lados na prática.
Transição para empreendedorismo e o salto na creator economy
Depois da Hotmart, o "bichinho do empreendedorismo" falou mais alto. E o timing importa: segundo o Mundo do Marketing, a creator economy brasileira alcançou US$ 5,47 bilhões em 2025 e tem projeção de chegar a US$ 33,5 bilhões até 2034. A agência que ele fundou com a sócia bateu a top 50 da Hotmart com um ano e meio de operação. Como comentamos ao falar de empreender — se chegou a sua hora ou se isso não é para você —, o momento certo raramente aparece no calendário; ele aparece quando você já está em movimento.
No fim, a grande lição de como construir uma carreira diversa não está no crachá que você troca, mas no que fica quando você levanta da cadeira. As pessoas voltam anos depois lembrando de uma entrega, de um jeito — não do cargo. Aprofundar em cada fase é o que transforma um currículo picotado numa história de verdade.
Quer ouvir os bastidores, as piadas e os "jornais obscuros" que os hosts revelaram? Dá o play no episódio de perfil do Shapoka no Bingo Corporativo.
Momento PDI
- Shapoka — Manual de Sobrevivência Corporativa Gen Z — o livro do próprio Bingo Corporativo, sobre entender a geração que mudou as regras do trabalho.
- Shapoka — O Livro das Virtudes (William J. Bennett) — antologia de contos que ele lê para o filho, ensinando disciplina, coragem e amizade.
- Shapoka — Chatô: O Rei do Brasil — sugeriu biografar Assis Chateaubriand, fundador dos Diários Associados e retrato do poder político e dos negócios no Brasil.
- Bingo Corporativo — Assis Chateaubriand — citado como figura que explica uma parte importante da história empresarial e política brasileira.
- Abramo — Phil Knight (Nike) — mencionado entre os perfis já feitos pelo podcast em episódios anteriores.
- Bingo Corporativo — Steve Jobs — outro perfil citado como referência da série de biografias do programa.
- Bingo Corporativo — Elon Musk — citado entre os perfis já explorados pelos hosts.
- Bingo Corporativo — Mark Zuckerberg — mencionado como um dos perfis anteriores da série.
- Shapoka — St. John's University (Nova York) — universidade onde cursou um semestre de intercâmbio via parceria da PUC Minas.
Manual de Sobrevivência Corporativa: Gen Z — 11 capítulos sobre a geração que mudou as regras do trabalho, na mesma voz do podcast. Sem frase pronta.
Quero o livro — R$59 Livro físico · 11 capítulosEpisódios relacionados
Onde ouvir
O Bingo Corporativo está disponível em todas as plataformas. Escolha a sua preferida:
- Spotify — Ouvir no Spotify
- Apple Podcasts — Ouvir na Apple
- YouTube — Assistir no canal
Sobre o Bingo Corporativo
O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.
Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.
