SALÁRIO: Como aumentar o seu? (... e lições de Thiago Leifert)

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Salário é importante. Muito importante. Mas não é tudo—e essa é a lição que o mercado corporativo insiste em nos ensinar, ainda que a gente relute em aceitar.

Quando você vê alguém como Tiago Leifert sair de um dos maiores empregos do Brasil, ou quando descobre que amigos seus deixaram empresas que pagavam extremamente bem por causa de clima tóxico e falta de propósito, fica claro: dinheiro tem limite. O que tira pessoas de um emprego é a soma de tudo—e sim, salário conta, mas não é o todo.

Pesquisas recentes mostram que 50% das pessoas consideram equilíbrio entre vida pessoal e profissional como principal motivador para trocar de carreira. Salário melhor aparece logo depois, com 49%. Ou seja: empate técnico. Isso muda a conversa, né?

O Salário Certo Depende de Onde Você Tá

Aqui tá o ponto: não existe "salário certo" desconectado do contexto. Se você ganha R$ 4 mil e recebe proposta de R$ 50 mil, aquilo muda sua vida. Salário astronômico retém quem mudaria de vida com o dinheiro. Agora, se você já ganha R$ 100 mil e oferecem R$ 200 mil, talvez isso não seja suficiente se o lugar for tóxico.

O truque mais fácil para ganhar mais? Trocar de empresa. Quando você entra numa entrevista, o recrutador parte do que você já ganha e oferece acima—85% das vezes. É matemática simples. Mas tem preço: você começa do zero em credibilidade, em relacionamentos, em entender como as coisas funcionam ali.

O Que Realmente Motiva uma Mudança de Carreira

Segundo pesquisa recente da Casper, os fatores que movem pessoas a mudar de emprego nos próximos 12 meses são:

  • Equilíbrio vida pessoal e profissional: 50%
  • Salário melhor: 49%
  • Função mais significativa: 31%
  • Reduzir tempo de trabalho/estresse: 31%
  • Trabalho por prazer: 14%

Também saiu uma pesquisa da Robert Half que é surpreendente: 44% das pessoas disseram que se tirassem a possibilidade de trabalho remoto, procurariam nova oportunidade imediatamente. Isso mostra que benefício e cultura combinam—e moldam decisões tanto quanto grana.

Quanto Tempo Sem Reconhecimento é Demais?

Se você é uma pessoa acima da média, entrega bem, superando expectativas, quanto tempo você deveria esperar por um aumento de salário? A resposta muda conforme o mercado, mas em temperaturas normais: 12 meses é o limite.

Em mercados que crescem acima da inflação, se você pega os 30% melhores da sua empresa e dá 10% de aumento anual, é o mínimo que faz sentido. Menos que isso é conversa de empresário—aquele "fica tranquilo que no final do ano a gente revê seu salário" que nunca vira nada.

Como Negociar Seu Aumento (De Verdade)

Esqueça emoção. Traz dados. Se você vai pedir aumento, chegue com fatos: quanto você entregou, em quanto tempo, qual foi o impacto. E aqui tá o segredo—pesquise o que seu cargo vale no mercado.

Uma conversa que funciona soa assim: "Eu tô há X tempo nessa função, entreguei isso e aquilo. Como você vê? O que você acha que falta para me dar um reconhecimento?" Honesto, baseado em dados, aberto.

Netflix faz diferente: eles incentivam funcionários a conversar no mercado, a entender quanto valem, e eles são proativos em pagar mais. Não esperam a pessoa receber proposta. Verificam o mercado e garantem que os melhores ganham 40% acima da concorrência. Raro? Sim. Impossível? Não.

O Custo Invisível de Trocar de Empresa

Quando você já está bem num lugar, conhece as pessoas, tem credibilidade, trocar de empresa pode custar caro—mesmo ganhando 40% mais. Porque você perde aquela rede, aquela confiança acumulada. E às vezes o novo lugar não funciona como esperado.

O custo real de uma pessoa para a empresa é 3x seu salário (impostos, benefícios, estrutura). Então quando você sai e deixa um vazio, a empresa tem que gastar muito para repor. És vezes, manter quem já tá ali com um aumento de 10-15% sai mais barato e mais inteligente do que contratar alguém novo por 20% a mais.

O Que Fica

Salário importa. Muito. Mas nunca escolha emprego olhando só para a remuneração. Pesquise o valor que você traz para o mercado, a estabilidade da empresa, a qualidade do seu gestor, o clima. Depois que tiver tudo isso claro, sim, negocie o melhor salário possível—com dados, com honestidade, com respeito. Se depois de 12 meses você não for reconhecido sendo acima da média, é aviso de que aquele lugar talvez não te veja do jeito que merecia ser visto.

E lembre: o salário astronômico só segura quem já ganhava bem. Para quem mudaria de vida com o dinheiro, segura bastante. Tiago Leifert tinha o primeiro. Você? Saiba em qual categoria você tá antes de tomar a próxima decisão de carreira.

Ouça o episódio completo do Bingo Corporativo para entender melhor por que é que empresário é cheio de conversa quando o assunto é salário, e como você pode se proteger disso.

Onde ouvir

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Sobre o Bingo Corporativo

O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.

Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.

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