Descobrimos que somos cringe. Sim, aqueles millennials que rodeavam o pai ao redor da mesa, que amávamos Friends, que tínhamos orgulho de beber cerveja artesanal — nós somos agora o objeto de vergonha alheia da geração Z. E sabe o que é mais engraçado? Faz todo sentido.
A coisa começou simples: a Carol Rocha, do podcast Imagina Juntas, perguntou na internet o que a geração Z acha cringe na geração Z acha cringe nos millennials. A resposta foi uma lista longa. Muito longa. E quase todas as caixas que marcávamos se encaixavam perfeitamente naquilo que nossos pais faziam e que nós zoávamos quando éramos jovens — aquele "tiozão da Sukita", que tenta puxar papo com a menina bonita enquanto ela o ignora completamente.
O fenômeno viralizou tão rápido que, em apenas 3 dias, as buscas por "cringe" cresceram 700% no Google, e marcas como a Reserva já lançavam coleções de camisetas brincando com o termo. Isso diz tudo sobre a velocidade com que operamos agora.
O que é cringe, exatamente?
Cringe é vergonha alheia. É aquela sensação desconfortável quando você vê alguém fazendo algo que você acha fora do tempo, desatualizado, constrangedor. Para a geração Z, a lista inclui: café (a nossa reverência ao café), cerveja Litrão, gostar de Disney e Harry Potter, fazer piadas sobre boleto, usar muitos emojis, usar Facebook, calça skinny, e até a forma como nós nos comunicamos online.
O ciclo geracional e a velocidade das mudanças
O interessante é perceber que isso não é novidade. Cada geração sempre olhou para a anterior e pensou: "que arcaico". O problema real é a velocidade. Enquanto nossos pais levavam décadas para serem considerados obsoletos no mercado de trabalho, essa transformação agora acontece em anos. Kodak existiu por mais de um século; Motorola foi gigante e desapareceu; as maiores empresas do mundo hoje não existiam há 20 anos.
Esse ciclo de vida cada vez mais curto não é só sobre marcas. É sobre pessoas. Sobre liderança. Sobre como você opera no mercado.
Menos liderados, mais inspirados
A geração Z não quer ser mandada. Ela quer autonomia, propósito e inspiração. Metodologias ágeis, trabalho colaborativo, decisões coletivas — não são buzzwords mais, são a realidade operacional. Um líder que se posiciona por "tenho mais experiência, confiem em mim" vai ser absolutamente inefetivo com essa turma. O que funciona é quem inspira, quem alinha valores e objetivos, quem dá liberdade para resolver problemas.
E aqui entra o grande desafio dos millennials que estão em posição de liderança: você consegue liderar alguém que nasceu online, que é multitarefa, que questiona hierarquia e que aprende mais rápido do que você? A resposta é sim, mas não da forma como aprendemos a liderar.
O empreendedorismo pode mudar de forma
Há uma questão que fica em aberto: essa geração vai criar as mesmas empresas disruptivas que criamos, ou vai fazer diferente? Millennials conseguiram juntar execução prática (herdada dos baby boomers) com tecnologia e inovação. Geração Z parece querer mais colaboração e propósito do que bilhões no banco. Pode ser que o modelo de um founder com dois sócios chamando pessoas seja substituído por modelos mais colaborativos — tipo Wikipedia, crowdfunding, contribuições globais compartilhadas. Menos ganância, mais impacto. Ou talvez apenas diferente.
Preconceito vs. Velocidade
O desafio real não é ser deixado para trás. É reconhecer que preconceito contra o novo mata oportunidades. Quando você acha que "eles ainda vão aprender muito", você está perdendo a chance de aprender com eles. A questão da adaptabilidade, tolerância e abertura para o diferente é o que vai separar quem prospera de quem fica para trás — seja você um profissional, um gestor ou uma empresa inteira.
Somos cringe. Tudo bem. Mas o que realmente importa é: você consegue enxergar além disso?
O que fica
Virar um tiozão é inevitável. Cada geração passa por isso. O que não é inevitável é ficar preso nesse papel. A verdadeira questão para quem está em posição de liderança, de decisão, de influência é: você consegue olhar para essa geração Z e aprender com ela em vez de julgá-la? Porque em muito menos tempo do que você imagina, ela está na sua frente. E se você não evoluir sua forma de pensar, sua velocidade de adaptação e sua abertura para o novo, vai ser deixado para trás não por ser cringe, mas por ser obsoleto.
Ouça o episódio completo do Bingo Corporativo e entenda melhor essa conversa sobre gerações, liderança e o futuro do trabalho.
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Sobre o Bingo Corporativo
O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.
Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.
