Tudo começou com uma pergunta numa mesa sobre podcast: o que a geração Z acha cringe nos millennials? A lista chegou e doeu. Tomar café com reverência, cultuar cerveja litrão, fazer piada com boleto, gostar de Disney, Harry Potter e Friends, usar Facebook, encher a legenda de hashtag e emoji, vestir calça skinny. Marcamos quase todas as caixinhas. E aí veio a real: como liderar a geração Z no trabalho quando você acabou de descobrir que virou o "tiozão da Sukita"?
O termo cringe é simples: é o que dá vergonha alheia, o pagar mico, a sensação de quem faz algo fora de época. É exatamente o mesmo olhar que a nossa geração lançava sobre o tiozão que tentava puxar papo numa propaganda de refrigerante. A roda girou. Agora somos nós no banco do velho.
Não é piada à toa: quando a brincadeira viralizou, marcas se moveram em dias. A própria velocidade do hype mostra o tamanho do recado para quem lidera, contrata e vende. Isso conversa diretamente com o que a gente já puxou o fio em Odiamos a Geração Z? A paciência acabou ou ainda há esperança?, onde ficou claro que o problema raramente é a geração — é o olhar de quem observa.
O que é cringe e por que isso vira papo de gestão
Cringe não é só zoeira da molecada. É um sintoma do choque de gerações no trabalho. Este podcast nasceu da queixa de que ninguém da geração anterior entendia como nos liderar. Agora corremos o risco de cometer o mesmo erro com quem está chegando. Reconhecer isso já é meio caminho. A gente já tinha tocado nisso em Dos 20 aos 60: como extrair o melhor das gerações no ambiente de trabalho, quando ficou evidente que cada faixa etária carrega um viés quase invisível sobre as outras.
Geração Z e millennials: o problema é velocidade, não idade
O ponto central não é a tal resistência de cada geração. É velocidade e preconceito. Quem está entrando nasceu online, é multitarefa e adapta tecnologia num ritmo que a nossa geração não alcança. Achar que "eles ainda vão aprender muito" é soberba cara. A tendência é a gente, ainda em atividade, trabalhar com — ou para — alguém mais novo. Tem um episódio só sobre isso: Um recomeço em 2026 — a Gen Z que nós criticamos mudou?, onde a gente revisita os próprios preconceitos com mais honestidade do que conforto.
Como liderar a geração Z no trabalho sem o crachá
A liderança que funciona deixou de ser a do "me respeita porque tenho mais experiência". Virou liderança que inspira e dá autonomia. Essa geração quer ser menos liderada e mais inspirada: mais independente, mais livre. Com propósito, valores e objetivos claros, às vezes o líder vira mais moderador do que chefe. A bagagem ainda pesa, ninguém nega — mas ela sozinha não compra obediência. Como comentamos ao falar de O Choque de Virar Líder: o que ninguém te conta sobre gerenciar pessoas, a transição para a liderança exige exatamente essa revisão de ego.
Ciclos mais curtos e o fim das marcas eternas
Pensa no videocassete, no DVD, no Blu-ray que mal nasceu e já foi pro streaming. Kodak sumiu, Motorola não é mais o que foi. As maiores empresas do mundo hoje são de tecnologia e muitas nem existiam há vinte anos. Empresa que não se adapta rápido encurta o próprio ciclo de vida. A pergunta que fica é sobre a sua adaptabilidade.
O que fica: ser chamado de cringe não é o problema. O problema é deixar o preconceito decidir como você encara quem é mais novo. Como liderar a geração Z no trabalho começa por largar a soberba do "no meu tempo era assim" e entender que essa turma é a força de trabalho e o consumidor de hoje — não de um amanhã distante.
Ouça o episódio #13 do Bingo Corporativo: descobrimos que somos cringe (e você também). Tem até final musical da Disney — porque a gente não tem mais nada a perder.
Momento PDI
- Bingo Corporativo — Podcast Imagina Juntas — citado por causa da Carol Rocha (Tchulin), que lançou a pergunta sobre o que a geração Z acha cringe.
- Bingo Corporativo — Carol Rocha (Tchulin) — provocou o debate do episódio ao perguntar à geração Z o que era cringe nos millennials.
- Shapoka — Alta nas buscas por "geração Z" e "geração Y" — dado trazido pelo pesquisador oficial: buscas teriam subido cerca de 700% a 740% após a polêmica.
- Shapoka — Coleção "cringe" da Reserva — exemplo de marca que surfou o hype de 3 dias e transformou a piada online em produto físico.
- Abramo — Friends (série) — citada na lista do que a geração Z considera cringe nos millennials.
- Abramo — Harry Potter — outro item da lista de "micos" apontados pela geração Z.
- Bingo Corporativo — Musicais da Disney — paixão antiga dos três hosts e item cringe segundo a geração Z; o episódio encerra com um trecho de musical.
- Abramo — Propaganda do "sanduíche ish" — lembrada como marco do nascimento da cultura de memes que a nossa geração viveu.
- Shapoka — Scrum e metodologias ágeis — citados ao discutir times com autonomia e objetivos sem hierarquia rígida.
- Shapoka — Modelos de organização (vermelho, âmbar, laranja, verde, turquesa) — referência ao framework de cores das organizações para falar de hierarquia e cultura.
- Salomão — Kodak — exemplo de marca gigante que sucumbiu por não se adaptar à velocidade da mudança.
- Salomão — Motorola — citada como marca que perdeu o protagonismo que tinha na nossa época.
- Shapoka — Modelo Wikipedia / crowdfunding — usado como metáfora para um futuro de empresas construídas de forma colaborativa e com resultado compartilhado.
- Abramo — Tiozão da Sukita — referência millennial que vira símbolo do episódio: o "velho" que tenta puxar papo e leva fora.
Episódios relacionados
Manual de Sobrevivência Corporativa: Gen Z — 11 capítulos sobre a geração que mudou as regras do trabalho, na mesma voz do podcast. Sem frase pronta.
Quero o manual — R$59 Livro físico · 11 capítulosOnde ouvir
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Sobre o Bingo Corporativo
O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.
Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.
