Existe uma crença que trava muita gente: a de que ser bom aluno influencia a carreira de forma definitiva, e quem foi mal na escola já largou atrás na vida. Os três que comandam o Bingo Corporativo são a prova viva de que não é bem assim. Um deles tomou quatro recuperações no terceiro ano — física, química, matemática e biologia — e só passou em química porque a professora deu o ponto que faltava. Outro era o aluno clássico que ia mal o ano inteiro e estudava só na última prova. Todos viraram líderes de pessoas e processos.
O ponto não é romantizar a nota baixa. É entender o que realmente pesa. Na escola, o conteúdo raramente conversava com eles. Na faculdade e no trabalho, quando o assunto passou a fazer sentido, o jogo mudou. E uma parte do que mais ajuda hoje — comportamento humano, sociologia, antropologia — era justamente o que eles menos entendiam por que estudavam na época. Isso conversa diretamente com o que discutimos em estudo e carreira — o que realmente funciona para crescer profissionalmente.
Vale o pano de fundo: hoje, pela primeira vez no Brasil, o ensino a distância passou o presencial. Mudou também a forma de aprender.
Por que nota baixa não define sua carreira
O recado central do episódio: não deixe que as pessoas — nem você mesmo — limitem quem você é ao aluno que você foi. Marrom-menos na escola e carreira mediana não têm relação de causa e efeito. Quem ficou "marretado" com o rótulo de mau aluno às vezes passa a acreditar que aquilo traçou seu futuro. Bobagem. Quando você dá uns passos pra trás, vê que não faz sentido nenhum. A gente já puxou esse fio em síndrome do impostor — a maior dúvida corporativa contemporânea, que fala exatamente sobre como rótulos do passado sabotam quem você pode se tornar.
Trabalhar com o que gosta não é frase de plaquinha
Eles brigaram com o clichê "ame seu trabalho e nunca mais trabalhe" — mas concordaram com o fundo da ideia. É quase impossível ser excelente em algo que você detesta. Quando você gosta, estuda, se envolve e fica bom quase sem perceber. O contrário cobra caro: um dos hosts passou 42 noites com febre numa função que não combinava com ele. Trocou de área, e os sintomas que nenhum exame explicava simplesmente desapareceram. Tem um episódio só sobre isso: burnout ou mimimi — como o trabalho tá adoecendo você, com um médico do trabalho no papo.
Educação financeira na escola: o que falta no currículo
Um consenso na conversa: gente sai da escola sem saber cuidar do próprio dinheiro, sem saber o que é um CDB, com medo de sair da poupança. Segundo o Senado, tramitam projetos para tornar a educação financeira obrigatória na educação básica, e a BNCC já reconhece o tema em suas competências gerais — mas a lacuna na prática ainda é enorme.
Educação à distância funciona? Networking e curso livre na prática
Os três defenderam o ensino online com dois argumentos pouco lembrados: você escolhe com quem aprende e estuda na hora que dá. Hoje a confiança vem das avaliações dos próprios alunos, não só da marca da instituição. O dado de mercado confirma a virada: segundo a Agência Brasil, em 2024 o EAD chegou a 50,7% das matrículas do ensino superior — 5,1 milhões de alunos a distância contra 5 milhões no presencial, num país que passou de 10 milhões de universitários. O contraponto honesto: o que se perde é o networking e a convivência, que pesam muito num MBA ou numa pós. Como comentamos ao falar de como não fazer networking — e o que realmente funciona nessa arte, a conexão humana ainda tem um valor que nenhuma plataforma substitui.
Querer crescer sem estudar não funciona
No mundo corporativo, muita gente quer progredir mas não abre um livro. Assume cargo de liderança sem estudar liderança, toca projeto sem saber fazer projeto. Tem roteiro pra crescer — só que ele nem sempre é o caminho formal de mestrado e doutorado. Às vezes é um curso livre específico que resolve o que a pós inteira não resolveria.
O que fica: se você foi mau aluno e teme que a carreira siga o mesmo destino, relaxa — uma coisa não tem nada a ver com a outra. Ser bom aluno influencia a carreira menos do que gostar do que faz, correr atrás e nunca parar de aprender. Você não precisa ser um gênio pra chegar onde quer.
Quer a conversa completa, com as histórias de recuperação, febre e Emily em Paris no meio? Aperte o play no episódio 5 do Bingo Corporativo.
Momento PDI
- Bingo Corporativo — Emily em Paris (Netflix) — citada como exemplo de tempo que poderia ser trocado por estudo; rendeu a piada que dá nome ao episódio.
- Abramo — Elon Musk — lembrado no fechamento como o gênio que ninguém precisa ser pra ter sucesso ("empresa de ônibus espaciais").
- Salomão — Ler livros seguidos sobre o mesmo assunto — dica prática para fixar e aprofundar um tema de verdade.
- Abramo — Economia da confiança (confiança distribuída) — conceito apresentado no MBA dele para explicar como hoje confiamos em ratings e provas sociais, não só em instituições.
- Bingo Corporativo — Twitter e o "microtédio" — citado como exemplo de aprender em janelas curtas de tempo, na fila ou no Uber.
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Sobre o Bingo Corporativo
O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.
Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.
