A hierarquia corporativa está em transformação. Empresas por todo o mundo estão repensando quantos degraus realmente precisam entre a liderança e a operação. E a pergunta que fica é: esse achatamento é feito com propósito ou é só mais uma ilusão de poder? Neste episódio do Bingo Corporativo, Abramo, Salomão e Shapoca debatem como a hierarquia corporativa está mudando, quem está se fodendo nesse processo e por que estruturas gigantes deixam todo mundo perdido.
A conversa começou com uma provocação clássica: quando você tem muitos degraus hierárquicos, a liderança realmente fica longe da operação? A resposta foi rápida e consensual: sim, mas não é só sobre distância física. É sobre proximidade humana, conhecimento das pessoas, entendimento real do que tá acontecendo no dia a dia.
O Problema da Estrutura Girafa
Nem toda estrutura grande é errada. O problema começa quando você cria o que os caras chamaram de "girafa": um pescoção longo de posições que ninguém entende direito. Você tem um vice-presidente com tantas camadas abaixo dele que fica completamente desconectado da realidade. O Salomão deu um exemplo perfeito: quando uma empresa cresce de verdade, você aumenta o time porque tem demanda real. Mas quando o crescimento é artificial — tipo "vamos criar uma área de IA só porque IA tá em moda" — aí você cria estruturas que não funcionam. E o que acontece depois? Sanfona: cresce, depois encolhe, depois cresce de novo.
O Gerente Médio Está Morrendo?
A McKinsey fala que o gerente médio é o "coração da operação". Mas agora tem matéria falando sobre o "apocalipse do gerente médio". O que tá acontecendo? Amazon, Microsoft e outras gigantes cortaram milhares de gerentes. O movimento é real: reduzir os degraus entre a alta liderança e a ponta. Só que nem sempre isso é feito bem. Muitas vezes o gerente médio vira o "cabo de guerra" — puxado para cima pela liderança cobrando resultado e para baixo pelo time pedindo ajuda, mas sem preparação ou suporte suficiente.
Acessibilidade é Tudo
Aqui vem a sacada mais importante: se você não tem acesso ao chefe do seu chefe, você tem um problema. Ponto final. Salomão contou que quando ele tava em função de alta liderança, ligava para as pessoas direto. No começo assustava — o funcionário achava que ia levar bronca — mas depois virava o normal. Não é sobre ficar ligando o tempo todo (embora Salomão seja meio psycho com isso). É sobre ter um caminho, uma abertura, uma chance real de conversa.
Um gestor bom é acessível. Pode ser ocupado, pode não ligar direto, mas tem que ter um jeito de você chegar até ele. Se a pessoa cria uma pompa, fica intocável, vira um "cavaleiro zodíaco" que ninguém pode abordar — aí a parada não tá certa.
O Inimigo Invisível: Ilusões de Poder
No final, os caras bateram na mesma nota: muita coisa em hierarquia tem a ver com ilusões de poder. Pessoas que se veem especiais, que querem inflar o ego com um título novo, que criam cargos só porque gostam de ser "respeitadas". E aqui tem uma verdade feia: ninguém mexe na própria camada. O VP reclama dos diretores. O diretor reclama do VP. O gerente reclama do diretor. Nunca ninguém diz "tem muito gerente". Porque proteção de nível é automática.
Se você não gosta de gente, você não deveria estar em gestão. Deveria ser especialista. Mas o sistema incentiva a promoção para cargos de liderança porque dá a ilusão de progresso. Você vira diretor, ganha a mesma grana ou pouco mais, mas seu ego infla. E a empresa fica com uma estrutura cada vez mais pesada.
O Que Fica
A verdade simples é essa: quanto menos níveis hierárquicos corporativos, melhor. Não porque seja trendy ou porque a Gen Z não quer cargo de liderança (embora isso também teja acontecendo). Mas porque estruturas enxutas funcionam. A liderança fica perto da realidade. As decisões saem mais rápido. As pessoas se sentem menos invisíveis. E quando a liderança é boa e gosta de gente, tudo flui melhor. Quando é ruim, nenhuma estrutura salva.
Ouça o episódio completo no Spotify, Apple Podcasts ou onde você escuta o Bingo Corporativo. Tem muito mais detalhe, histórias específicas e aquele debate que deixa você pensando depois.
Momento PDI
- Shapoca — Provocast #287 com Marcelo Glazer — Episódio sobre evolução, ciência, aprendizado e política com um cientista e astrônomo brasileiro referência na área.
- Salomão — Muito Além da Hierarquia — Livro de Pedro Mandelli sobre como se comportar, posicionar e liderar independente do nível hierárquico na empresa.
- Abramo — Flow Executive Talks com Abramo (30 de outubro) — Entrevista do Abramo no Flow onde ele fala sobre mercado de criação de conteúdo e estratégia empresarial.
- Abramo — A Dança do Universo — Livro de Marcelo Glazer (mesmo autor do Provocast) sobre evolução, ciência e reflexão sobre o universo.
Onde ouvir
O Bingo Corporativo está disponível em todas as plataformas. Escolha a sua preferida:
- Spotify — Ouvir no Spotify
- Apple Podcasts — Ouvir na Apple
- YouTube — Assistir no canal
Sobre o Bingo Corporativo
O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.
Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.
