Você Não É o Steve Jobs: Genialidade, Ego e Gestão do Capeta

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Tem um tipo de profissional que assistiu a um vídeo do Steve Jobs e saiu achando que ser insuportável é sinônimo de talento. É essa confusão que torna tão urgente entender o que aprender com a gestão de Steve Jobs sem comprar o pacote completo. Porque o pacote vinha com genialidade, sim, mas também com gente surtada, uma filha renegada e uma empresa que ele mesmo quase afundou. Isso conversa com um padrão que a gente já viu antes: tem um episódio só sobre isso: Você é um gênio incompreendido ou só um colega chato?

No episódio, a gente pegou a primeira biografia da nossa nova linha de histórias e escolheu justamente o cara que melhor representa o "filha da puta de escritório". Não para idolatrar, e nem para crucificar — para separar o que é mito do que é método.

Vale o contexto: Walter Isaacson lançou a biografia autorizada em 2011, baseada em dezenas de entrevistas com o próprio Jobs, família, amigos e até adversários. É de lá que vem boa parte do que se sabe sobre ele.

Genialidade e inovação na Apple: criar critério, não código

Jobs nunca foi o engenheiro — esse era o Wozniak. O mouse veio da Xerox, a interface de janelas idem. O talento dele era ler uma tendência antes de virar tendência e transformar coisa que já existia em algo que parecia inevitável. iPod, iPhone, iTunes: nada surgiu do nada, tudo foi remodelado. A obsessão pelo design (a mesma curvatura no iPhone, no Mac e no lápis) não era vaidade, era construção de identidade. Como comentamos ao falar de Mark Zuckerberg: Gênio Visionário ou o Homem que Piorou o Mundo?, esse padrão de "pegar o que existe e reembalar com visão" é a marca registrada dos grandes fundadores de tecnologia.

Ego e liderança no trabalho: o custo da "gestão do capeta"

Aqui mora o perigo. Jobs dava resultado e era escroto, e muita gente concluiu que uma coisa puxa a outra. Não puxa. Ele foi afastado da própria Apple por dragar dinheiro num computador perfeccionista sem mercado, brigava com Deus e o mundo e tinha uma relação difícil com a realidade — diziam que ele "moldava" os fatos na cabeça dele. A gente já puxou esse fio em Ego no Trabalho: Você é a vítima ou o problema? — e a resposta quase nunca é a que a gente quer ouvir.

Steve Jobs vs Bill Gates: o vendedor e o engenheiro

A comparação é inevitável. Gates também pegava ideia dos outros e melhorava — só não tentava parecer o criador de tudo. Curiosamente, foi ele quem fez o cheque que ajudou a manter a Apple viva no fundo do poço. E em A Estrada do Futuro, de 1995, Gates cravou quase tudo: internet barata e onipresente, e-commerce, e-mail como padrão, trabalho remoto. Errou pouco: não viu rede social nem o smartphone como centro da vida digital.

O que isso significa pra sua carreira

O ponto prático não é estética. É reconhecer que copiar o estilo de gestão de um gênio sem ter o resto é receita de desastre. Você herda o atrito, não o resultado. Já tínhamos tocado nisso em Phil Knight: o cara que quase faliu a Nike dezenas de vezes — outro fundador genial cujo método dificilmente sobreviveria numa empresa comum.

O que fica: a melhor lição sobre a gestão de Steve Jobs talvez seja não querer ser ele. Pegue a obsessão pelo detalhe, o instinto de cercar-se de gente melhor que você e a coragem de seguir a intuição quando a pesquisa atrapalha. Deixe pra trás o resto. E lembre: para virar referência, vale mais olhar para a propaganda "1984", dirigida por Ridley Scott, do que para o lado humano que ele tantas vezes negligenciou.

Ouça o episódio: a discussão completa, com brigas sobre iTunes, embalagem e ego, está no #130 do Bingo Corporativo. Dá o play e tira sua própria conclusão.

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O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.

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