O LinkedIn é a rede que mais gente ama odiar. E mesmo assim, ninguém de carreira corporativa consegue ficar de fora — não dá. Como usar o LinkedIn de forma estratégica virou pergunta obrigatória num momento em que a rede deixou de ser um arquivo digital de currículo e virou o lugar onde sua história profissional é encontrada antes de você abrir a boca. Tem um episódio só sobre isso: Marca Pessoal: do Uga Uga ao LinkedIn, que puxa exatamente esse fio de como você é percebido antes de qualquer reunião.
Pra dimensionar: o LinkedIn já passou de 75 milhões de usuários no Brasil, o equivalente a mais de 60% da força de trabalho do país. Não é mais uma vitrine opcional. É onde o recrutador procura, onde o ex-colega te reencontra e onde o mercado se movimenta na sua frente.
No episódio #67, Abramo, Salomão e Shapoka discutiram o que de fato vale a pena fazer por lá — e onde a maioria trava.
O passo zero: ter um perfil de LinkedIn bem feito
Antes de postar qualquer coisa, o básico que muita gente ignora: perfil completo, foto decente e um bom "sobre". A dica dos hosts é caprichar menos na lista exaustiva de cada projeto e mais na descrição de quem você é — esse "sobre" muda conforme seu foco de carreira. E a foto: nada de 3x4 formal demais nem selfie distante de congresso. Plano americano, do peito pra cima, pra te reconhecerem no scroll.
Interagir vale mais do que postar
O segundo passo — e o mais subestimado — é fazer networking no LinkedIn pela interação, não pela produção de conteúdo. Comentar, curtir e reconectar com quem você já trabalhou rende mais que um artigo elaborado por mês. Um dos hosts contou que um comentário genuíno num post de antigo colega virou um café, e o café virou negócio. Nada disso foi planejado. Isso conversa com como não fazer networking — e a armadilha da conversa forçada, que mostra quando a tentativa de se aproximar afasta mais do que conecta.
Postar: só quando tiver algo a dizer
O consenso é contra a obrigação de postar X vezes por semana. Se o seu objetivo é virar autoridade e ser um "veículo", aí sim você produz com consistência. Pra todo o resto, prefira o silêncio a um "estive no congresso tal". Vale lembrar que a maioria absoluta dos usuários de rede social só observa, sem nunca postar — e tudo bem. Como comentamos ao falar de comportamento em redes sociais e as tais mulheres CEO, a forma como você aparece online já comunica muito antes de qualquer post elaborado.
O dilema do open to work
Aqui os três discordaram, e a discordância é o ponto. Para início de carreira, sinalizar disponibilidade tende a acelerar a recolocação. Para cargos mais altos, alguns torcem o nariz. Os dados ajudam a pensar: a LinkedIn afirma que quem usa o selo recebe, em média, 40% mais InMails de recrutadores — mas o mesmo recurso já é usado por mais de 220 milhões de pessoas no mundo, alta de 35% em um ano, o que diz mais sobre o mercado do que sobre você. Não há vergonha em sinalizar que está disponível. A gente já puxou esse fio em job hopping: estratégia pra aumentar salário ou queimação de filme, que toca diretamente na percepção que o mercado constrói sobre quem muda — ou sinaliza que quer mudar.
A melhor saída pra introvertido
Talvez o melhor argumento do episódio: o LinkedIn é uma das melhores soluções de networking pra quem é introvertido. Dá pra estar presente, comentar, reconectar e construir relação sem o desgaste de marcar café com gente que você mal conhece. Networking sem o ritual social que cansa.
No fim, usar o LinkedIn de forma estratégica não é virar criador de conteúdo nem postar foto de cachorro. É ter um perfil que te representa, interagir de verdade com quem importa e falar só quando tiver algo que valha a pena. A rede é uma máquina — pare de usá-la só pra pendurar a roupa suja.
Quer a conversa inteira, com as discordâncias sobre open to work, foto de calção e o rito do consultor de imagem? Ouça o episódio #67 do Bingo Corporativo.
Momento PDI
- Abramo — Apaixone-se pelo Problema, Não pela Solução — Uri Levine — livro do cofundador do Waze sobre focar no problema antes da solução; Abramo entrevistou o autor.
- Abramo — Waze — app de navegação criado por Uri Levine e vendido ao Google, citado como exemplo do livro.
- Salomão — Glassdoor — rede que permite avaliação anônima de empresas por funcionários e também ajuda na busca por vagas.
- Shapoka — The News (newsletter) — newsletter diária que condensa notícias por e-mail às 6h, com editorias como The Business e esportes.
- Salomão — Podcast do Jerônimo Theml (episódio com Abramo sobre procrastinação) — episódio em que Abramo fala sobre procrastinação, indicado de forma bem-humorada.
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Sobre o Bingo Corporativo
O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.
Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.
