Você e sua empresa sabem liderar millenials? (ou como colocar correntes em elefantes)

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Você está liderando uma equipe e se pergunta por que as pessoas saem, reclamam, ficam desengajadas? A resposta pode estar mais perto do que pensa. Pesquisa da BambooHR de 2019 revela que 44% das demissões não têm a ver com salário ou falta de oportunidade — têm tudo a ver com liderança tóxica. E a boa notícia? Como liderar millennials e gerações mais novas é uma habilidade que pode ser aprendida e aprimorada.

A questão é simples: a liderança mudou. O que funcionava há 20 anos — comando e controle, ameaça velada, "ou você obedece ou sai" — não funciona mais. As pessoas de hoje, especialmente os millennials, exigem líderes que entendam que cada pessoa é diferente, que precisam de desafios reais (não ameaças), e que merecem crescimento.

Neste episódio do Bingo Corporativo, três diretores de empresas diferentes discutem exatamente isso: a evolução da liderança, os erros que líderes ainda cometem, e o que você precisa fazer — se está sendo liderado por alguém ruim, ou se você é o líder.

O que não muda na liderança (e a gente faz bem em lembrar)

Independente de década ou geração, certos princípios valem sempre. Gestão pelo exemplo é um deles. A equipe é reflexo do líder — se você é desorganizado, ela será. Se você tem energia, ela terá. Se você é justo, ela será justa com você. Não é mágica, é efeito espelho. A frase que resume tudo: "quando o líder senta, a equipe deita."

Outro princípio antigo que resiste: regras claras. Quanto menos regras, melhor. Duas ou três regras bem definidas funcionam muito melhor do que um manual de 180 páginas. As pessoas não conseguem reter tudo, e isso aumenta a ansiedade. Simplificar é liderar.

A grande mudança: agora as pessoas exigem mais dos líderes

Há alguns anos, ser líder só pela posição hierárquica era aceitável. Você era o chefe, pronto. As pessoas obedeciam porque precisavam do emprego. Hoje, não. Millennials e profissionais mais jovens questionam muito mais. "Engolhem menos sapo", como foi dito no podcast. E isso é exatamente o que os bons líderes modernos querem.

Os níveis de liderança segundo John Maxwell fazem sentido aqui: começamos no nível da posição (você é chefe porque está na posição), passamos pela permissão (as pessoas gostam de você), depois produção (resultados), depois desenvolvimento de pessoas (você investe nelas), e finalmente respeito (as pessoas te seguem pelos seus valores). O que mudou: as pessoas não aceitam ficar muito tempo no primeiro nível. Elas exigem que você suba rapidamente pelos outros níveis ou procuram outro líder.

Os três pilares que motivam qualquer geração (especialmente millennials)

Oportunidade de aprendizado: Sua equipe quer crescer profissionalmente. Não é luxo, é necessidade. Engaje-as em projetos que as desafiem, que as façam aprender.

Oportunidade de crescimento: Aprendeu, performou bem? Agora cresce. Mostre que há caminho à frente — seja em promoção, seja em responsabilidade maior.

Autonomia: Você contratou pessoas competentes. Então deixe elas trabalharem. Aquela máxima "contrate pessoas melhores do que você" funciona porque você confia que elas sabem como fazer o trabalho. Não as sufoque.

Claro que existe também suporte. A diferença é o nível de suporte. Uma pessoa mais junior precisa de mais acompanhamento, feedback frequente, orientação. Uma pessoa sênior? Deixa ela tocar o projeto e aparece quando há obstáculo. Como disse o podcast: a equipe júnior é o elefante pequeno que precisa de corrente — não para prender, mas para guiar. O elefante grande já sabe o caminho.

Se você está sendo liderado por alguém ruim: o que fazer

Primeiro passo: faça uma autocrítica honesta. Será que o problema é realmente o líder, ou tem algo na sua postura que pode melhorar? Busque feedback de colegas. Seja justo consigo mesmo.

Se realmente é o líder: tente uma conversa franca. Se ele estiver aberto, conversa resolvida. Se não, busque oportunidades dentro da mesma empresa — troque de área, de time, de liderança. A maioria das empresas boas entende isso.

Se não der: comece a olhar para fora. Mas não saia do emprego sem ter algo alinhado. Explore o mercado, entenda se há alternativas reais. E seja claro sobre uma coisa: sua saúde mental não vale qualquer salário. Se você está adoecendo, saindo mais cedo de casa com ansiedade, acordando no meio da noite por causa de trabalho — é hora de sair. Nenhum job compensa isso.

Se você é o líder (ou quer ser): como não ser um chefe bosta

Primeiro: pergunte-se se você realmente quer ser líder. Não é obrigação. Tem gente que é excelente tecnicamente e horrível como gestor — e tá tudo bem voltar para a carreira técnica. Sua empresa vai preferir ter o melhor técnico voltado do que um líder frustrado.

Segundo: goste de gente. Parece óbvio, mas não é. Se você acha chato lidar com questões pessoais das pessoas, se as acha uma "preguiça", provavelmente você não vai ser um bom líder. Ponto.

Terceiro: faça uma análise mental todos os dias. Pergunta-se: "fui uma pessoa legal hoje?" Escrever isso ajuda — pode ser um diário de gratidão simples: 3 coisas pelos quais você é grato naquele dia. Quando você faz isso, você automaticamente fica mais vigilante em relação à pessoa que você é. E isso se reflete na liderança.

Quarto: entenda o contexto de cada pessoa. Feedback é importante, mas não do mesmo jeito para todo mundo. Uma pessoa sênior não quer reunião formal de feedback — ela quer feedback no dia a dia, conversas normais. Uma pessoa junior precisa de mais estrutura, talvez até reuniões marcadas para feedback. Adapte.

Quinto: tire os problemas da frente do seu time. Seu trabalho é deixar eles trabalharem. Você resolve o que está entupindo o caminho, você protege eles do caos, para que a energia deles vá para produção e resultados.

O que fica

Liderança mudou porque as pessoas mudaram. Millennials não aceitam ficar preso ao nível da posição hierárquica — eles exigem respeito genuíno, desenvolvimento real e autonomia. E está certo em exigir. Se você lidera, adapte-se. Se você está sendo liderado por alguém que não consegue fazer isso, você tem o direito de procurar outro lugar. A vida é curta. Não desperdice com liderança tóxica. E se você é o líder que quer melhorar, comece pequeno: todos os dias, pergunte-se se foi legal. O resto vem daí.

Ouça o episódio completo no Bingo Corporativo para a conversa inteira entre os três diretores — tem muito mais dica, muito mais história, e até um bingo acontecendo enquanto eles falam.

Onde ouvir

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Sobre o Bingo Corporativo

O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.

Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.

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