Você está gerenciando pessoas de gerações completamente diferentes. De um lado, quem cresceu batendo na televisão para ela funcionar. Do outro, quem nunca soube o que é videogame em cartucho. E aqui está o maior desafio de gestão de gerações diferentes no trabalho que ninguém realmente te preparou para lidar.
A verdade é que os livros de negócios ainda falam a língua dos nossos pais. Aqueles que criaram as empresas, que definiram o que é liderança, que ensinaram que você tem que engolir sapo para crescer. Mas o mundo mudou. O mercado mudou. E as pessoas mudaram. Somos três diretores com quase 40 anos que percebemos isso na pele: o conflito entre gerações corporativas é real, é diário, e é impossível ignorar.
Nós somos o cabo de guerra. Esticados entre dois mundos.
O que significa ser Old Millennial (nosso lado da história)
Somos a última geração que soprou cartucho de videogame. Crescemos sem internet, vivemos a transição do analógico para o digital, e fomos pegos de surpresa pela crise de 2008 já no meio da carreira. Aprendemos que resiliência era sofrer e seguir em frente. Que você construía uma carreira de 20 anos na mesma empresa. Que posse—carro, apartamento, status—era o objetivo.
Nós conseguimos. Chegamos a diretor. Mas paramos e perguntamos: é isso? A resposta é complicada, porque ao mesmo tempo que alcançamos o topo, descobrimos que as regras mudaram e ninguém nos avisou.
Young Millennials e o novo jeito de pensar
Quem nasceu em 1995 para cá cresceu em outro mundo. Smartphone desde adolescência. Redes sociais como linguagem nativa. Não conhecem o mundo sem internet. E aqui vem o choque: eles não querem o que a gente quer. Não querem carro próprio—pegam Uber Black. Não querem apartamento—alugam e se mudam quando sentem. Não querem ficar 20 anos numa empresa—querem impacto, propósito, valores alinhados.
Eles sofrem com a etiqueta de "mimimi", mas aqui está a verdade: quando você chama algo de mimimi, geralmente está faltando empatia. 90% das vezes, quem reclama que é mimimi é quem não entende o lado do outro.
O conflito real: resiliência vs. valores
A antiga geração diz: "tenha resiliência, aguente". A nova geração diz: "não vou aceitar coisas que ferem meus valores". Nós três pensamos que ambas têm razão, mas em contextos diferentes. Resiliência é importante—a gente vê isso em startups onde o empreendedor nem recebe salário enquanto paga funcionários. Dedicação extrema. Mas não pode ser resiliência contra seus próprios princípios.
O problema real é quando a empresa antiga força um modelo que não funciona mais. Quando o número importa mais que as pessoas. Quando a liderança é gritar mais alto. Essas empresas? Têm prazo de validade. Pode demorar, mas vai acabar.
As empresas que entenderam a mensagem
Tesla, Apple, Google—ninguém ama esses nomes, mas todos entendem uma coisa: experiência do cliente não termina na venda. É contínua. É futuro. É pensamento além de você estar vivo. Enquanto a indústria automotiva tradicional reclama que Tesla dá prejuízo, a Tesla pensa em dominar o mercado nos próximos 30 anos.
A questão não é tamanho ou financeiro. É pensamento. É valores. É saber para quem você trabalha e o que eles realmente acreditam.
O que fica
Se você tá sofrendo no meio dessa gestão de gerações diferentes no trabalho, saiba que não está sozinho. O conflito é real porque o cenário mudou, não porque você está fazendo algo errado. A antiga geração não tá desconectada por ser velha—tá desconectada porque o mundo se moveu e ela não viu. A nova geração não é fraca—é esperta em não aceitar o que não faz mais sentido.
Sua job, se você está na nossa posição—no meio desse cabo de guerra—é criar a ponte. Entender os dois lados. Ser flexível sem perder seus valores. Exigir resiliência sem exigir que quebrem quem são.
E sim, isso é difícil. Mas é do tipo de difícil que vale a pena.
Ouça o episódio inteiro do Bingo Corporativo onde a gente discute isso tudo com mais profundidade, risadas, cornetas e um jogo maluco de bingo com palavras corporativas manjadas. Tem história de Michael Jordan na Jordânia, Tesla, Google e muito mais.
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Sobre o Bingo Corporativo
O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.
Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.
