Geração X, Millenials e o Cabo de Guerra de gestão no mundo corporativo

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Três diretores beirando os 40, áreas completamente diferentes, um problema em comum: como gerenciar diferentes gerações no trabalho quando os livros de negócios que a gente lê foram escritos pela geração dos nossos pais. Esse é o ponto de partida do primeiro episódio do Bingo Corporativo — e é provavelmente o motivo de você sentir que algo trava na sua liderança hoje.

A gente é o que o Chapoka chamou de "geração esticada". O cabo no meio do cabo de guerra. De um lado, a mentalidade do "dá murro na mesa, número pelo número, cala a boca e rema". Do outro, uma turma de 25 anos que não aceita engolir sapo que fira os próprios valores. No meio, nós, tentando traduzir uma língua para a outra sem deixar o resultado cair. Tem um episódio só sobre isso: dos 20 aos 60 anos e como extrair o melhor de cada geração no trabalho.

Antes de entrar nas dicas, vale o mapa que o episódio montou: baby boomers (anos 1940 a 1959), geração X (60 a 79) e os millennials, ou geração Y, nascidos dos anos 80 até meados dos 90. Curiosamente, os próprios hosts são millennials — o que mostra como o rótulo esconde diferenças enormes dentro do mesmo grupo.

A diferença entre old e young millennials

O episódio usa a divisão popularizada por um estudo do Google de 2017, que separa old e young millennials a partir de dois marcos: a crise financeira de 2008 e a popularização dos smartphones. O old millennial — nós — é quem soprou cartucho de videogame, deu tapa na TV pra funcionar e ouviu o barulhinho da internet discada. Cresceu sem estar conectado o tempo todo, foi pego de surpresa pela crise e tende a ser mais nostálgico e colaborativo. O young millennial já nasceu no mundo conectado, é mais questionador com dinheiro e abraçou o "you only live once". Isso conversa com o que a gente discutiu em Odiamos a Geração Z? A paciência acabou ou ainda há esperança.

O conflito de gerações no ambiente corporativo é sobre ser, não ter

Tem um termômetro simples: apartamento e carro. A galera mais velha media status por posse. A nova nem liga — pega um Uber Black e resolve. Saiu do "ter" e foi pro "ser". Isso muda tudo na hora de engajar: pertencimento não vem mais de 20 anos de casa e camisa da empresa, vem de valor compartilhado. Como comentamos ao falar de o fim do amor à camisa e os 54% que querem sair em 2026, essa virada de mentalidade já está nos dados.

Resiliência não é o mesmo que engolir sapo

O preconceito mais comum é que a nova geração desiste fácil. Mas o cara que vira a noite num hackathon ou entra numa startup de garagem sem garantia de salário tem resiliência de sobra. O que ele recusa é a submissão a algo que contraria os valores dele. Persistência continua valendo; humilhação disfarçada de "é assim mesmo", não. A gente já puxou esse fio em Resiliência: estão te enganando ou é o maior atributo corporativo da atualidade?

Engajamento de equipe jovem e o exemplo do Google

Os hosts lembram a lógica do escritório do Google no Brasil, comandado por Fábio Coelho: pingue-pongue e cerveja liberada não fazem ninguém trabalhar melhor sozinhos. A chave é trazer pessoas que já compartilham a cultura — aí o propósito não precisa ser forçado. E não é à toa que esse esforço cresce: pesquisas recentes mostram que a rotatividade no início de carreira é alta, com a maioria dos jovens deixando o primeiro emprego por dificuldade de adaptação e falta de espaço para crescer, segundo levantamento divulgado pelo Instituto PROA.

As empresas antigas vão acabar?

Depende de três coisas: tamanho, mercado e perfil de cliente. Empresa grande aguenta mais porrada antes de se esvair; mercado muito tradicional dá uma blindagem temporária. Mas se você depende de cliente jovem — que investiga se a marca tem os mesmos valores antes de comprar, mesmo pagando mais caro — acelera, porque o tempo é curto.

O que fica é simples e difícil ao mesmo tempo: gerenciar diferentes gerações no trabalho não é escolher um lado certo. É aceitar que o choque existe, parar de chamar discordância de "mimimi" e construir a ponte entre dois jeitos legítimos de enxergar o trabalho.

Ouça o episódio completo e descubra de quebra quem grita "bingo" primeiro. Vale pelo papo — e pelas cornetas.

Momento PDI

  • ShapokaEstudo do Google sobre Young e Old Millennials (2017) — base da divisão entre as duas metades da geração Y, separadas pela crise de 2008 e pela chegada dos smartphones.
  • AbramoO Rei Leão (Hakuna Matata) — citado na brincadeira sobre filosofias de "aproveitar o momento", comparando Hakuna Matata, Carpe Diem e YOLO.
  • AbramoCarpe Diem (Sociedade dos Poetas Mortos) — referência ao "aproveite o dia" e à cena de subir na mesa, contraposta ao YOLO da nova geração.
  • Bingo CorporativoTesla — usada como exemplo de empresa criticada por executivos antigos pelos números, mas que pensa em continuidade e experiência do cliente.
  • AbramoSpaceX — exemplo de pensamento de futuro e continuidade: construir hoje algo que só vai "bombar" muito depois.
  • AbramoElon Musk — citado como o fundador por trás da visão de longo prazo de Tesla e SpaceX.
  • AbramoApple x Microsoft — comparação sobre experiência do cliente e usabilidade, com Abramo se assumindo crítico declarado da Apple.
  • AbramoFábio Coelho (Google Brasil) — história sobre montar o escritório do Google contratando gente alinhada à cultura, em vez de forçar propósito com benefícios.
  • SalomãoWhole Foods — exemplo de cliente que escolhe marcas pelos valores, mesmo pagando mais caro.
  • SalomãoBig Brother — citado na discussão sobre "mimimi" e os limites do comportamento humano sob pressão.
  • Bingo CorporativoICQ e mIRC — referências nostálgicas dos primeiros mensageiros e salas de bate-papo da internet discada, marca dos old millennials.
  • SalomãoAltaVista — buscador usado antes do Google, lembrado na história engraçada da primeira conexão de internet em casa.
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Onde ouvir

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Sobre o Bingo Corporativo

O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.

Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.

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