Em ritmo de festa. O que adoramos e abominamos no legado de Silvio Santos (e como ele pode ser útil no seu trabalho)

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No dia em que Silvio Santos morreu, a gente percebeu que não dava pra ignorar. O que aprender com Silvio Santos no trabalho virou tema porque o cara fez algo que quase ninguém faz: começou do zero, vendendo na rua, e construiu um império de comunicação e negócios. Durante a adolescência, ele trabalhou como vendedor de rua no Rio de Janeiro, e dali até o conglomerado que leva seu nome foi uma vida inteira de venda.

Senhor Abravanel morreu em 17 de agosto de 2024, aos 93 anos, no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Nenhum de nós três aqui vai construir um SBT — e provavelmente você também não. Mas não é disso que se trata. O pequeno império é ter sucesso na própria vida, na própria carreira. E pra isso, o legado dele rende lição.

A gente discutiu o que admira e o que abomina nesse legado. Porque ele é um sujeito complexo: nada com ele é preto no branco.

Saber se comunicar no trabalho era o talento central

O maior poder do Silvio não era ser empresário — era ser vendedor. O Boni, papa da TV brasileira, dizia que como comunicador existe gente melhor, mas como vendedor não tinha ninguém. Ele juntava três coisas que poucos dominam: para quem falar, o que falar e como falar. Escolheu o brasileiro comum e nunca traiu esse público, mesmo quando mandavam ele mirar o "AAA". Isso conversa diretamente com comunicação no trabalho — será mesmo que você sabe se comunicar bem?, que a gente aprofundou lá no começo do podcast.

O SBT como lição de carreira: quando você bate no teto

Ele comprava espaço na Globo, mas não podia fazer do jeito dele. Então saiu e fundou a própria emissora. A licença para criar o SBT veio durante o governo do general João Figueiredo, e a rede estreou em 19 de agosto de 1981, com a compra da TV Record em São Paulo e no Rio. É a velha reflexão: você está num lugar que virou teto? Tem quem se apequene e quem vá pra cima. A gente já puxou esse fio em empreender: chegou a sua hora ou isso não é para você? — vale revisitar.

Coragem ou imprudência? Os limites da gestão por gratidão

O lado que a gente abomina aparece aqui. Ele entrava em negócios sem entender — virou dono de banco e quase quebrou na pessoa física. Em 2010, uma auditoria do Banco Central identificou um rombo de cerca de R$ 4,3 bilhões no Panamericano, resultado de operações contábeis irregulares, com carteiras de crédito já vendidas inflando os ativos. Para evitar a liquidação, o Grupo Silvio Santos injetou R$ 2,5 bilhões no banco em novembro de 2010, até o BTG Pactual assumir. E tem a gestão por gratidão: manter funcionário por afeto aquece, mas no médio prazo não para de pé. Tem um episódio só sobre isso: turnover — por que os talentos estão indo embora?, onde a gente discute retenção, liderança e o custo de decisões afetivas mal calibradas.

Concorrência: o feito é melhor que o perfeito

Quando descobriu que a Globo lançaria o Big Brother, ele correu e fez a Casa dos Artistas com famosos antes. Saiu na frente — e pagou o preço: o STJ negou recurso ao SBT na ação por plágio do Big Brother, que corria desde 2001, dando vitória à Globo e à produtora holandesa Endemol. Mesmo provocando, ele costumava ser fair: enaltecia a concorrência quando era o caso. Como comentamos ao falar de concorrência — respeito ou massacre?, saber reconhecer o adversário é também uma forma de autoridade.

Networking e bagagem contam mais que a logomarca da escola

Boa parte das oportunidades vem de gente que você conheceu pelo caminho. Não é a escola "padrão MEC" que decide — é o conhecimento que você corre atrás e a rede que você planta. Se essa rede não veio da escola, plante de outro jeito agora. Já tínhamos tocado nisso em como não fazer networking, com um olhar bem honesto sobre os erros mais comuns nessa construção.

O que fica: o que aprender com Silvio Santos no trabalho não é virar Silvio Santos. É escolher bem para quem você fala, ter coragem sem virar imprudência e lembrar que existem múltiplas formas de fazer as coisas e ter sucesso — o Boni com a "qualidade Globo" e o Silvio com o jeitão do SBT, os dois certos à sua maneira.

Esse episódio tem causo de banco, briga de emissora, Vasco com SBT no peito numa final e até uma escola fictícia pra imitar o Silvio. Dá o play e vem com a gente.

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O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.

Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.

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