O fim do home office voltou a ferver essa semana, e não por acaso. Um banco enorme anunciou o retorno de áreas inteiras ao trabalho 100% presencial a partir de janeiro, e ao mesmo tempo circulou um número que assustou muita gente: segundo estudo do Insper em parceria com a Robert Half, 93% dos profissionais que trabalham cinco dias remotos considerariam deixar a empresa caso o home office fosse totalmente eliminado.
Vale uma ressalva que os hosts fizeram no episódio: "considerar" pedir demissão é bem diferente de pedir. A própria pesquisa, feita entre março e abril de 2025 com 1.432 profissionais, ajuda a dar o tamanho real da coisa. O ponto do episódio não é debater se o número é robusto ou não — é o que as pessoas fazem com essa insatisfação. E, quase sempre, elas fazem barulho no lugar errado. Isso conversa com o episódio em que a gente debateu o fim do home office no Nubank e o novo normal corporativo, onde a mesma tensão já aparecia com força.
Porque tem um dado do outro lado que raramente entra na conta: trazer o time de volta é uma decisão cara. Nenhuma empresa aumenta custo por capricho. Se ela decidiu, é porque acredita que ganha em cultura, produtividade ou entrega. Você pode discordar — mas discordar não é o mesmo que ter razão.
Por que o retorno ao presencial é uma decisão estratégica
A empresa tem o direito de definir o modelo, e o profissional tem o direito de ficar ou sair. O que não faz sentido é tratar a companhia como criminosa por isso. Existem exceções humanas legítimas — quem se mudou de cidade pra cuidar da mãe doente, quem depende de transporte público que leva horas. São casos delicados e merecem conversa. O que não cola é o gestor querer regra diferente do próprio time: quem lidera precisa dar o exemplo. A gente já puxou esse fio em como o ambiente físico e as regras do espaço moldam o comportamento de todo mundo no trabalho — e a lógica se aplica direto aqui.
Do quiet quitting ao loud quitting no LinkedIn
O quiet quitting é a saída silenciosa: a pessoa vai morcegando até alguém perceber. O loud quitting é o oposto — sair fazendo barulho. E não é fenômeno pequeno: um relatório da Gallup aponta que cerca de 18% dos trabalhadores no mundo se encaixam nesse comportamento de "jogar a toalha em voz alta". Tem um episódio só sobre isso: task masking — o teatro de fingir que trabalha, que mostra como o desengajamento silencioso tem versões cada vez mais criativas no dia a dia corporativo.
Reclamar da empresa: construir ou amaldiçoar?
Aqui está o ouro do episódio. Tem reclamação que constrói — aquela do brother empolgado que quer melhorar a reunião bagunçada. E tem a que amaldiçoa, quando você fala do lugar como se fosse uma desgraça. A palavra "amaldiçoar" é forte de propósito. Um dos hosts resume: só reclama da empresa com quem ama a empresa tanto quanto ele. Fora disso, não é desabafo, é veneno. Como comentamos ao falar de sinceridade demais no trabalho, existe uma linha tênue entre honestidade saudável e o discurso que afunda a sua própria reputação.
O recrutador da próxima empresa está lendo
Quem queima a antiga empresa em textão raramente pensa que o próximo recrutador vai ler aquilo. E vai. Sair atirando pra todo lado, com clichê e alfinetada, não pega bem — mesmo quando a mágoa é real. Sair com classe é estratégia de carreira, não fraqueza. Já tínhamos tocado nisso em como procurar emprego estando empregado sem se queimar — a lógica de preservar a imagem vale tanto na entrada quanto na saída.
No fim, a frase que dá título ao episódio resume tudo: você não cresce no lugar que amaldiçoa. Se você respira o insucesso alheio, torce contra e vive de reclamação, vai estacionar exatamente onde está. Quer crescer? Ou você gosta de onde trabalha, ou muda de lugar. O fim do home office é só mais um teste dessa lógica.
Dá o play no episódio #158 e escuta a discussão completa — inclusive a teoria do banheiro limpo, que a gente não vai estragar aqui.
Momento PDI
- Shapoka — Vídeo do Canal Nostalgia sobre Santos Dumont (Felipe Castanhari e Iberê) — indicado como um mergulho envolvente na história do inventor brasileiro.
- Abramo — Santos Dumont — citado como referência absurda na aviação, do 14 Bis ao jantar com Thomas Edison; rendeu promessa de episódio próprio.
- Abramo — Podcast O Berro do Boi — conta a história dos irmãos Batista e da JBS; indicado como um retrato revelador do Brasil.
- Salomão — O Gestor Eficaz — Peter Drucker — clássico sobre gestão do tempo e escolha de prioridades para quem está abarrotado de tarefas.
- Bingo Corporativo — Thomas Edison — citado ao ilustrar o alcance global de Santos Dumont, que teria jantado com o inventor.
- Bingo Corporativo — Romário — usado como metáfora do funcionário genial que pode ter regras próprias ("não treina, mas faz 3 gols").
Manual de Sobrevivência Corporativa: Gen Z — 11 capítulos sobre a geração que mudou as regras do trabalho, na mesma voz do podcast. Sem frase pronta.
Quero o livro — R$59 Livro físico · 11 capítulosEpisódios relacionados
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Sobre o Bingo Corporativo
O Bingo Corporativo é um podcast semanal apresentado por Alexandre Abramo, Alexandre Salomão e Sergio Gomes (o Shapoka) — três amigos de infância que viraram executivos e decidiram contar a vida real no trabalho, sem frase pronta.
Carreira, liderança, decisões difíceis e os bastidores que ninguém posta. Sem papo motivacional vazio, sem romantizar o corporativo. Para quem trabalha, lidera ou tenta sobreviver no corporativo.
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